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Empreendedorismo

O sucesso de quem foge das ideias comuns

Manter distância do óbvio é um dos melhores caminhos para a abertura de um novo negócio

  • Marcos Ricardo dos Santos
Giancarlo Stahlke, diretor da Forplas: fabricar escadas não é uma coisa muito comum e, por isso mesmo, é um bom negócio |
Giancarlo Stahlke, diretor da Forplas: fabricar escadas não é uma coisa muito comum e, por isso mesmo, é um bom negócio
 
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Cansado de seu emprego, você quer abrir um negócio. Quer ter uma agenda mais flexível e ver mais bem remunerado seu esforço de trabalho. A primeira coisa que vem à cabeça é: que negócio abrir? Quem sabe uma imobiliária, um café ou uma pousada na praia? Seria ótimo, não fosse um pequeno detalhe: muita gente já pensou nisso antes. Somente na região metropolitana de Curitiba existem 1.249 imobiliárias, segundo dados do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR). Levantamento da Associação dos Revendedores de Veículos do Paraná (Assovepar) mostra que são mais de 1,1 mil revendedoras de carros na região Curitiba, contando o litoral.

O professor Antônio André Neto, coordenador do MBA sobre gestão e desenvolvimento de negócios da ISAE/FGV explica que, em um mercado muito concorrido, o empreendedor vai ter sucesso se conseguir oferecer um preço menor, propiciar um serviço diferenciado ou tentar apresentar algo novo. “Não precisa ser um gênio louco para inventar algo novo, pois não precisa ser uma novidade no mundo, basta que aquele produto ou serviço seja novo em um determinado lugar”, explica o professor. Quem consegue, diz André, passa a “navegar num oceano azul”, citando o livro de W. Chan Kim, A Estratégia do Oceano Azul (Ed. Campus).

Essa estratégia deu certo para o empresário americano Neil Dallas, radicado em Curitiba. Ele montou a Portamed, uma fábrica que produz um organizador de medicamentos. É uma ideia simples: são pequenas caixas de plástico – uma para cada dia da semana –, internamente divididas por horários. “Para um idoso que deve tomar 10, 12 ou mesmo 15 medicamentos por dia, a falta de organização dos remédios pode ser um problema”, diz. Dallas cita estudos nos Estados Unidos que mostram os problemas causados pela “falta de aderência”, ou seja, o uso de medicamentos de maneira diferente à prescrita pelo médico. “Nos Estados Unidos e na Europa há pelo menos 15 marcas desse tipo de produto. No Brasil não havia nenhuma.”

Essa observação estimulou Dallas a começar o negócio. A fábrica, instalada em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba, teve um crescimento de 58% na produção em 2008. E Dallas quer mais: este ano, pretende importar um equipamento austríaco para facilitar a realização de cirurgia de hemorroidas, por meio de um equipamento de ultrassom. Para iniciar o negócio, só aguarda a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Oportunidade

Ser médico, astronauta ou jogador de futebol é sonho comum a muitas crianças. Mas como alguém tem a ideia de montar uma fábrica de escadas? No caso da Forplas, a palavra-chave foi oportunidade. A empresa paranaense hoje está entre as três maiores do Brasil no segmento, num mercado com poucos competidores. Quem observa as escadas sobre os carros de serviço da Copel e das operadoras de telefonia de Curitiba pode atentar para as bandeirolas amarelas da Forplas.

A empresa – cujo nome é formado pelas iniciais dos fundadores Forsteneric, Platter e Lasperg – era uma fábrica de peças de moinhos. Na década de 60, devido a políticas nacionais de incentivo à importação de trigo, a maioria dos moinhos de Curitiba quebrou. Os sócios decidiram então mudar de ramo: aproveitando a experiência com o trabalho em madeira e alguns desenhos trazidos da antiga Iugoslávia, apostaram no ramo das escadas de madeira. Hoje, a empresa tem 34 funcionários e produz 12 mil escadas por ano, com faturamento anual de R$ 3,3 milhões.

“Temos que observar as oportunidades e pensar sempre à frente”, diz Giancarlo Stahlke, neto de um dos fundadores e hoje diretor da empresa. E esse discurso é levado à prática: preocupado com o avanço das escadas de alumínio e de fibra, está diversificando o negócio, com uma linha de móveis sustentáveis, criados a partir das sobras de madeira. “Sabemos vender escadas, por isso revendemos escadas de alumínio. Sabemos trabalhar com madeira, por isso fabricamos os móveis”, explica. Hoje a linha de móveis representa 5% do faturamento da empresa, mas, segundo Stahlke, essa participação deve aumentar nos próximos anos.

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