Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
desenvolvimento

Obra na Repar inicia novo ciclo em Araucária

Município receberá até 17 mil trabalhadores quando o projeto estiver em seu ápice, em meados deste ano

Pedro Basso investiu R$ 1 milhão para transformar o restaurante em uma cozinha industrial | Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo
Pedro Basso investiu R$ 1 milhão para transformar o restaurante em uma cozinha industrial (Foto: Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo)
Veja também

Dona de um parque industrial consolidado, Araucária experimen­ta agora um novo ciclo de desenvolvimento, com forte ex­­pansão dos setores de comércio e serviços. A Repar está em obras, o que deve fazer com que haja um fluxo de até 17 mil trabalhadores na cidade em meados deste ano, quando o projeto estiver no ápice. É a chegada repentina dessa multidão que tem mudado definitivamente a vida econômica do município."É perceptível o aquecimento do comércio com a abertura de novas lojas, restaurantes e padarias. De um ano para cá, percebemos um aumento de cerca de 40% no faturamento do setor", diz a presidente da Associação Co­­mercial, Industrial e Agropecuá­­ria de Araucária (Aciaa), Rosa Tanaka Zelaga. Todo esse potencial tem atraído a atenção de investidores. Os empresários locais já dão como certa a instalação de uma grande re­­de de supermercados, a construção de um shopping center e de um novo hotel "de porte" na cidade.

Ainda assim, a construção civil é o setor que mais gera empregos em Araucária. De acordo com a unidade local da Agência do Trabalhador, foram mais de 7 mil contratações em 2009. Agora, a agência aguarda apenas uma confirmação da Petrobras para abrir mais 500 vagas nos próximos meses, com salário médio entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.

"Muita gente vem de outras regiões do Paraná, ou mesmo de outros estados. Temos muitos trabalhadores do polo petroquímico da Bahia, que já chegam aqui com qualificação e acabam sendo contratados", conta o diretor de empregabilidade da Agência do Trabalhador, Silmar Godofredo. A chegada repentina de trabalhadores também deu uma sacudida no mercado imobiliário. Na falta de imóveis disponíveis, muitas casas residenciais estão sendo transformadas em "pousadas" – que servem de alojamentos para esses operários. Cada pousada pode abrigar entre 20 e 50 trabalhadores. A diária, de R$ 25 em média, muitas vezes é bancada pela empreiteira contratante da mão de obra. As acomodações são simples e incluem o dormitório, um refeitório para o café da manhã e banheiros.

Boom

De um ano para cá, o preço dos imóveis sofreu uma valorização entre 30% e 50% e quem busca uma casa ou apartamento para alugar ou comprar tem de enfrentar fila. "Não chega a dar tempo de colocar a placa em frente ao imóvel. Tudo o que entra, sai logo em seguida", garante o empresário Antônio Carlos Torres, proprietário da imobiliária Barracão. Para surfar essa onda de crescimento, Torres investiu na construção de dois prédios de apartamentos, com um total de 57 unidades. "Todas já foram vendidas ou alugadas", comemora.

O empresário Pedro Basso transformou um simples restaurante em um fornecedor de alimentação para os operários da cidade. De um ano para cá, o faturamento do restaurante Fredericos cresceu quase 30% e, para atender a demanda, a cozinha passou a operar em um novo turno durante a madrugada. Com isso, 22 novos postos de trabalho foram criados, totalizando 67 funcionários, que são responsáveis por preparar 2,5 mil refeições por dia. Além disso, duas novas Kombis foram incorporadas à frota de entregas. Basso investiu R$ 1 milhão e deve inaugurar nos próximos meses uma nova cozinha industrial, com mil metros quadrados.

"É preciso aproveitar o momento para alavancar os negócios, mas sem esquecer que boa parte dessa explosão não é permanente, e tende a desaparecer com o fim da obra da Repar. No entanto, é o momento certo para investir e conseguir novos contratos com as outras indústrias instaladas na cidade", afirma.

Essa consciência parece estar presente em grande parte dos empresários. "Sabemos que todo crescimento tem um lado bom, mas que traz também consequências negativas. Em Araucária, passamos a conviver com situações até então inéditas, como filas nos bancos e supermercados, engarrafamentos e aumento da violência. Uma coisa é certa: a cidade dificilmente voltará a ser o que era", avalia Rosa Tanaka Zelaga, presidente da Aciaa.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.