Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Celulares

Os desafios da Motorola

Fabricante norte-americana aposta em aparelhos sofisticados para superar recentes prejuízos

Multimídia | Reprodução/Globo
Multimídia (Foto: Reprodução/Globo)

Quando chegou às prateleiras, em 2004, o Razr V3 chamou a atenção pelo formato de linhas angulosas, pelo tamanho – que contrariava a tendência de miniaturização dos telefones –, pela pouca espessura e pelo teclado em aço escovado. Mesmo assim, nenhum analista previu o sucesso estrondoso do aparelho: até hoje, foram vendidos 98 milhões de V3 ao redor do mundo.

Mesmo com o anúncio de seu sucessor, Razr2, os executivos da Motorola não seriam loucos de tirá-lo de cena. Afinal de contas, são vendidos diariamente 100 mil V3 – praticamente um por segundo – e a companhia norte-americana apóia-se em seu sucesso para agradar seus acionistas. No último trimestre, a empresa responsável pelo desenvolvimento do primeiro celular comercial do mundo, o DynaTac 8000x, de 1983, registrou um prejuízo líquido de US$ 181 milhões. Além disso, anunciou demissões em massa e sua principal concorrente, a Nokia, distanciou-se na liderança do mercado mundial.

Os lançamentos que a Motorla fez na semana passada são todos voltados para os usuários avançados, os chamados "high end users". Isso faz parte da estratégia da empresa, que, ao contrário da rival finlandesa e dos coreanos da Samsung, não parece demonstrar muito interesse em aparelhos simples. Diz o presidente da Motorola Brasil, Enrique Ussher: "Vemos com cautela o mercado low end [de celulares baratos] pelo fato de que não queremos brigar por preço na hora de conquistar o consumidor". Resumindo: telefones sofisticados dão mais lucro e podem trazer de volta a rentabilidade desejada.

Design

Falta ainda convencer os analistas de Wall Street de que o plano irá funcionar. No dia seguinte à apresentação do novos modelos da Motorola, o New York Times publicou uma matéria em que questionava se a gigante de Schaumburg, Illinois, será capaz de fazer os compradores gastarem centenas de dólares em seus novos celulares enquanto as operadoras oferecem equipamentos – inclusive o V3 – por preços simbólicos e, às vezes, de graça.

No Brasil, onde a Motorola divide a liderança do mercado com a Nokia (fatia de 28% para cada marca, segundo a consultoria Nielsen), a dúvida é se as novidades não ficarão muito salgadas para o bolso dos compradores. Ao que tudo indica, as telefônicas vão diminuir seus descontos e subsídios ao longo dos próximos meses, já que sua base de usuários não está crescendo na velocidade registrada até há pouco tempo.

Razr2, Moto Q e Rokr e os mais "antigos" Rizr, Krzr, Ming e Pebl (aliás, ninguém explica a aversão por vogais demonstrada pelo departamento de marketing da Motorola nos últimos anos) são a quintessência da beleza em matéria de telefones móveis, mas observadores apontam que a fabricante não pode ficar refém de designs revolucionários, sob pena de continuar perdendo mercado. Charles Golvin, analista de tecnologia da Forrester Research, diz que é difícil manter um negócio baseado apenas nos grandes sucessos, referindo-se ao V3 e ao StarTac, ícone dos anos 90. "O verdadeiro sucesso é ter um mix amplo e correto de produtos, além de ser muito eficiente nos processos de fabricação e substituição de peças."

O gerente de design da Motorola para as Américas, o brasileiro Cláudio Ribeiro, no entanto, lembra que a indústria dos celulares está caminhando mais próxima da moda do que da tecnologia pura e simples. "Em todas as culturas, as pessoas buscam se diferenciar pelo celular", frisa. "Na China, as pessoas o penduram no pescoço – mesmo aquelas que não têm dinheiro para fazer ligações. No Brasil, o celular fica junto da chave do carro na mesa dos restaurantes. Nos EUA, não é muito diferente." Tendo em vista que mais de 80% das vendas atuais de celulares é relativa a troca de aparelhos, conquistar pelo visual pode sim ser tão ou mais importante do que pela funcionalidade.

Veja também

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.