Panasonic e Sanyo surgiram da mesma família. A Sanyo foi de fato fundada em 1947 por Toshio Ue, cunhado de Konosuke Matsushita, criador da Panasonic. Passados 62 anos, o clã estará de novo reunido. Na quinta-feira passada a Panasonic anunciou o encerramento de uma operação de 405 bilhões de ienes (aproximadamente R$ 9 bilhões), pela qual adquiriu 50,2% das ações da concorrente.
O negócio criou uma companhia maior do que a Sony, eterna rival da Panasonic em terreno japonês e também no mercado global.
A intenção da Panasonic já era conhecida desde dezembro de 2008. A operação, amistosa, foi antecipada pela crise, mas levou um ano para ser concluída. A companhia lançou apenas oficialmente em novembro sua oferta pública de aquisição (OPA) após ter negociado detalhes com os grupos financeiros detentores de mais de 70% dos títulos da Sanyo, e ter esperado o sinal verde das autoridades da concorrência de 12 países.
A Panasonic espera agora enriquecer seu catálogo de produtos e ampliar suas atividades a domínios considerados muito promissores. Ainda se recuperando de uma longa reestruturação (quase 15.000 demissões, 15% do total e venda de atividades), a Sanyo se ateve nos últimos anos a desenvolver essencialmente produtos no domínio ambiental, de saúde, higiene e entretenimento multimídia. Um dos grupos mais poderosos no mundo nos ramos de células fotovoltaicas e de baterias recarregáveis de diversos tipos, ele vai poder ainda se apoiar sobre a potência comercial da Panasonic.
Em amplitude de gama de produtos (audiovisual para grande público e profissional, dispositivos diversos para empresas, pequenos e grandes eletrodomésticos), a Panasonic já ultrapassada a Sony. Com a Sanyo, ela amplia ainda mais o campo das competências e seu potencial de faturamento nitidamente acima do de seu concorrente, ficando quase no mesmo nível do conglomerado Hitachi, cujas atividades são ainda mais variadas.
A absorção da Sanyo pela Panasonic deve também provocar reduções de gastos de abastecimento e logísticas. Mas o presidente da Panasonic, Fumio Ohtsubo, disse que o reforço da estrutura financeira e industrial do grupo é uma prioridade desta aquisição. Violentamente atingidas pela recessão e pela alta do iene, Panasonic e Sanyo sofreram em 2008-2009 uma dura queda de suas vendas, em volume e em valor.







