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Fila na BR-277 diminuiu ontem. Em dias sem chuva, é possível carregar no porto o equivalente à carga de 3,3 mil caminhões | Hedeso Alves/ Gazeta do Povo
Fila na BR-277 diminuiu ontem. Em dias sem chuva, é possível carregar no porto o equivalente à carga de 3,3 mil caminhões| Foto: Hedeso Alves/ Gazeta do Povo

Desperdício

Appa admite prejuízo com paralisação

Apesar de prometer solução rápida, o superintendente do Porto de Paranaguá, Airton Maron, admite que o problema causa prejuízos ao estado, que tem no agronegócio a principal base de sua economia. "Todo mundo perde. Os caminhoneiros e, principalmente, os exportadores", reconhece.

Assim que entra no pátio de Paranaguá, um caminhão tem 24 horas para descarregar os grãos na moega. Depois disso, precisa pagar diária – um bitrem com capacidade de 40 toneladas paga, por exemplo, R$ 384 por dia de espera.

Além desses custos, o exportador precisa arcar também com as despesas com "demourrage", uma espécie de estadia cobrada enquanto o navio está aguardando o carregamento. Esse valor varia de US$ 5 a US$ 30 mil, conforme o tamanho da embarcação. (CR e LG)

Como funciona

Conheça o sistema Carga On-Line, usado pelo porto para gerenciar o fluxo de caminhões.

O que é o sistema?

É um serviço que permite programar e acompanhar o fluxo de chegada e descarga de caminhões e vagões nos terminais graneleiros do Porto de Paranaguá, em tempo real.

Qual é o objetivo?

Facilitar o acesso de exportadores e transportadores a informações operacionais de triagem e descarga dos terminais, agilizando a programação de transporte e logística das cargas. O programa ainda oferece informações sobre o volume de caminhões no pátio e em trânsito.

Como funciona o Carga On-Line ?

Toda a carga de grãos destinada ao porto é cadastrada on-line ainda na origem, e o caminhão só é liberado para seguir viagem até o porto quando há espaço em armazém para recebimento da carga e navio aguardando para embarcar o produto. O sistema funciona via internet, permitindo a todos os usuários conexão direta à situação do pátio de triagem e dos terminais de descarga.

Fonte: Appa

Para evitar o aumento da fila de caminhões na BR-277, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) suspendeu ontem a emissão de senhas do Carga On-Line, sistema que gerencia o fluxo de veículos até o porto. O programa estabelece cotas diárias de recebimento de caminhões de acordo com o espaço livre para armazenagem dos grãos. Os caminhões só deixam a origem em direção ao litoral quando já têm uma senha determinando o local e a data do desembarque. De acordo com o superintendente do porto, Airton Maron, a medida tem caráter emergencial e deve ser mantida até que haja a regularização dos embarques. "Assim que a chuva parar voltaremos a liberar as senhas. Isso deve durar um dia", prevê o executivo. Por outro lado, quem acompanha de perto os embarques no porto paranaense não acredita em uma solução tão rápida para o problema. "Nenhuma safra é igual a outra. Sempre tivemos fila no porto e esse gargalo não é tão simples de resolver quanto parece", analisa Maurício Silva Xavier, sócio da Gransol, operadora portuária que movimenta 1,5 milhão de toneladas de grãos anualmente.

O superintendente do porto revela que o último navio a deixar a Baía de Paranaguá levou seis dias para ser carregado, quase cinco dias a mais que o considerado padrão. Mas, segundo Xavier, o tempo de carregamento dos navios tem sido maior do que estima a administração do porto. "Vi dois navios levando dez dias entre atracação e saída. Esse processo deveria durar, no máximo, quatro dias", descreve.

Em condições normais de clima, o porto paranaense embarca 100 mil toneladas de grãos por dia – carga equivalente a cerca de 3,3 mil caminhões. O volume atual, porém, tem sido de 20 mil toneladas por dia. A Appa atribui essa redução às constantes chuvas, que elevam o risco de apodrecimento caso a carga seja embarcada com umidade.

O atraso no carregamento dos produtos atrapalha não só a partida dos navios já atracados, mas também a chegada dos que aguardam autorização para atracar. De acordo com a Appa, ontem havia 16 navios ao largo aguardando autorização para serem carregados com soja, milho, trigo e farelo. Outros três estão em processo de carregamento no porto, com muita lentidão.

Consequência dessa situação, a quilométrica fila de caminhões persistia na tarde de ontem na BR-277, desta vez com 29 quilômetros de extensão. Além das chuvas, o superintendende do porto diz que o episódio está atrelado à concentração da colheita da safra brasileira de grãos. "Estamos colhendo com atraso uma safra muito grande e muito vendida. Tem muita soja para ser escoada ao mesmo tempo. Isso explica o tumulto nos principais portos do país", diz o analista da Informa Economics FNP Aedeson Pereira. Segundo a consultoria, até o fim do mês passado 51,5% da produção brasileira da oleaginosa havia sido comercializada. Na mesma época do ano passado, esse índice era de 35%. "O line up dos portos está gigantesco. Haverá aglutinação em março porque o que não foi cumprido em fevereiro terá de ser escoado neste mês", avalia Pereira.

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