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Finanças

Pequeno investidor já começou a reservar ações do Banco do Brasil

Começou na segunda-feira para os pequenos investidores o período de reserva de ações do Banco do Brasil (BB), que estão sendo colocadas à venda por meio de oferta pública. Os interessados poderão investir entre mil reais e R$ 300 mil até o próximo dia 23. Apesar da turbulência vivida pelos mercados financeiros nas últimas semanas, especialistas acreditam que é um bom negócio comprar as ações do Banco do Brasil (BB) que estão sendo colocadas à venda por meio de oferta pública. Em média, os cálculos do mercado apontam para um potencial de valorização das ações entre 20% e 25% até o fim do ano. Quem optar pelo investimento, no entanto, tem de ter em mente que se trata de uma aposta de longo prazo, como normalmente acontece com as aplicações de renda variável, que têm maiores riscos.

- Comprar as ações do BB é interessante, mas o pequeno investidor precisa saber que esse investimento tem de ser feito pensando num prazo acima de um ano - afirmou o analista da área de bancos da corretora ABN Amro, José Cataldo, para quem o preço-alvo potencial da ação é de R$ 69.

A venda de 5,5% do capital total do BB é uma tentativa de elevar a liquidez dos papéis no mercado. Caso a soma dos pedidos ultrapasse o montante reservado para a oferta (em torno de nove milhões de ações, ou seja, 20% do total de cerca de 45 milhões de ações que serão vendidas a investidores institucionais), será garantida a compra de até R$ 5 mil por pessoa. Não será possível usar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), como aconteceu em outras ofertas públicas de ações, como da Petrobras e da Vale do Rio Doce.

Os especialistas afirmam que, apesar de o BB ter de lidar com a pressão dos créditos agrícolas, nos últimos anos o banco vem conseguindo melhorar sua gestão. Além disso, se beneficia dos juros elevados e das fortes receitas com cobrança de tarifas, característica geral do setor bancário, o que garante bons resultados financeiros.

No trimestre passado, o BB registrou lucro líquido de R$ 2,34 bilhões, 143% a mais que em igual período de 2005, mas o valor foi inflado por uma decisão do Conselho Monetário Nacional CMN), que permitiu a incorporação pelo BB de créditos tributários no valor de R$ 1,9 bilhão no trimestre. Descontado esse recurso, o lucro líquido no trimestre foi de R$ 938 milhões, 14% maior que o resultado dos primeiros três meses de 2005.

Para o diretor de investimentos da Prosper Gestão, Júlio Martins, a tendência de bons resultados deve permanecer. Ele estima que o potencial de ganho dos papéis do BB é de 20%. O cálculo é umpouco menor do que os feitos para as ações do Bradesco e do Itaú - entre 25% e 30% - mas apenas porque estes papéis sofreram mais perdas nas últimas semanas.

- Há duas semanas, eu diria que o potencial das três ações (BB, Bradesco e Itaú) eram semelhantes - acrescentou ele.

Segundo cálculos do presidente da consultoria Economática, Fernando Exel, de abril de 2005 a março de 2006, o BB gerou lucro de R$ 6,92 por ação. O especialista afirma que, se o ritmo se mantiver, a compra será um bom negócio.

Desde 10 de maio, as bolsas em todo o mundo vêm registrando fortes perdas, devido ao temor de novos aumentos de juros nos Estados Unidos. Em um mês, a Bolsa de Valores de São Paulo acumula queda de 16,44%. Por isso, alguns analistas discordam que a compra das ações do BB seja bom negócio. Para Ronaldo Guimarães, da Cenário Investimentos, os investidores devem ser bastante cautelosos com relação à Bolsa, devido ao cenário externo.

- Pode ser um bom negócio olhando uma perspectiva de médio e longo prazos, mas, a curto prazo, acho que há papéis de banco com preços mais atrativos, como os do Bradesco - diz.

Emanuel Pereira da Silva, sócio da GAP Asset Management, é mais incisivo:

- Não indico a compra. Há melhores oportunidades na Bolsa, principalmente agora que as ações começam a ficar baratas. O BB é estatal, cumpre interesses do governo, não tem boa gestão, é alvo de conflitos políticos e sofre com a burocracia da dministração pública.

Já Francisco Costa, sócio da Personal Investimentos, diz que a escolha de uma ação específica é pior do que deixar a opção na mão de um gestor de um fundo de ações, por exemplo, onde o risco é pulverizado.

Mas, para ele, a decisão deve ser tomada independentemente do momento atual de volatilidade vivido pelos mercados.

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