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Crise dos combustíveis

Petrobras anula reajuste que faria da gasolina após nova desoneração do governo

Reajuste dos combustíveis
Estatal recua de alta de R$ 0,19 e anuncia redução equivalente às distribuidoras após mudança nos impostos sobre a gasolina. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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A Petrobras recuou nesta quinta-feira (10) do aumento de R$ 0,19 no preço da gasolina anunciado na véspera e informou que, na prática, haverá redução equivalente para as distribuidoras. A mudança ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar novas medidas para os combustíveis, como a substituição da subvenção de R$ 0,44 por litro pela desoneração de R$ 0,63 em PIS/Cofins, zerando o efeito da alta que seria aplicada pela estatal.

O primeiro comunicado da Petrobras, divulgado às 20h44, informava o reajuste de R$ 0,19 no preço da gasolina. Às 00h53 desta quinta-feira, porém, a empresa corrigiu a informação e afirmou que “diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto”.

Segundo a estatal, a mudança nos impostos faz com que o preço percebido pelas distribuidoras, já considerados os tributos, caia R$ 0,19 por litro. Na prática, portanto, a desoneração anunciada pelo governo compensa exatamente o valor do reajuste que a Petrobras havia informado inicialmente.

As novas medidas para os combustíveis tentam segurar os preços que seguem pressionados pelo aumento do petróleo no mercado internacional por causa da nova ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã, que fez a cotação do óleo voltar aos US$ 100 por barril na véspera. Ao todo, o pacotão custará R$ 7 bilhões ao governo.

Também na quarta-feira (9), Lula anunciou que vai zerar o imposto sobre o etanol. As duas medidas terão validade por um mês, entre 10 de setembro e 9 de outubro.

No caso do diesel, a Petrobras informou que aguarda a publicação dos atos necessários para revisar os preços. Lula também assinou uma medida provisória que prevê nova subvenção de R$ 1 por litro, que se soma aos R$ 1,12 de subsídio já em vigor até 26 de setembro.

Durante o período de sobreposição, o benefício para o diesel chegará a R$ 2,12 por litro. No fim do mês, o governo deverá reavaliar a situação e decidir se será necessário manter uma subvenção superior a R$ 1.

Apesar das medidas, os preços dos combustíveis nas bombas acumulam alta desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. Segundo os dados informados da ANP, o diesel S10 subiu 13% no período e chegou a R$ 6,88 por litro na semana passada, enquanto a gasolina avançou 3,6%, para R$ 6,51.

O etanol, por outro lado, registrou queda de 14,7% desde o fim de fevereiro. O litro custava, em média, R$ 3,95 na semana passada, cerca de 60% do preço da gasolina comum, abaixo do limite de 70% considerado vantajoso para veículos com motor flex.

Segundo a estatal, o preço médio da gasolina no Brasil está em R$ 6,51, sendo 27,3% referentes à própria Petrobras e o restante de impostos federais (10,3%), estadual (24,1%), custo do etanol anidro (13,7%) e distribuição e revenda (24,6%).

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