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Para entender

Petrobras encontra petróleo em águas ultraprofundas na bacia da Foz do Amazonas

Descoberta no poço Morpho amplia expectativas sobre a Margem Equatorial, mas volume da reserva e viabilidade econômica ainda são incógnitas. (Foto: EFE/Isaac Fontana)

A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial brasileira. A exploração ocorreu em águas ultraprofundas a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O achado é visto pelo governo federal e pela estatal como um marco estratégico para garantir a segurança energética do Brasil nas próximas décadas após o declínio do pré-sal.

Onde exatamente o petróleo foi localizado e qual a sua qualidade?

O petróleo foi encontrado no poço Morpho, dentro do bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas. Apesar do nome da bacia, o local fica a mais de 500 quilômetros de distância da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma profundidade de água de quase 3 mil metros. Segundo as primeiras avaliações da Petrobras e do governo federal, o óleo é de belíssima qualidade, com características de um petróleo leve. Esse tipo de óleo tem maior valor comercial no mercado internacional porque é mais fácil de ser refinado para produzir combustíveis como gasolina e diesel.

Quais são os custos e os próximos passos técnicos da Petrobras na região?

A perfuração do poço Morpho já custou aproximadamente 300 milhões de dólares, com um gasto operacional diário de 1 milhão de dólares. Agora, a Petrobras planeja perfurar mais mil metros para completar a análise técnica e realizar a delimitação da área, o que deve levar entre 15 e 20 dias. Esse processo é essencial para descobrir o volume exato de óleo que pode ser recuperado. Além disso, a estatal aguarda novas licenças do Ibama para perfurar outros oito poços na região. Esse esforço é o que definirá se a exploração comercial nessas águas ultraprofundas será financeiramente vantajosa.

Como a empresa pretende garantir a segurança ambiental da operação?

Para conseguir a licença do Ibama, a Petrobras apresentou planos rigorosos de proteção à fauna e flora locais. A operação utiliza o BOP, um conjunto gigante de válvulas de segurança instalado no fundo do mar que bloqueia o poço imediatamente em caso de vazamento por pressão. A estratégia também inclui monitoramento 24 horas por dia, tanto no local quanto remotamente na sede da empresa, além de embarcações de prontidão para conter eventuais manchas de óleo. Algoritmos de última geração e computadores de alto desempenho são usados para planejar as perfurações, reduzindo o número de intervenções necessárias no mar.

Por que a Margem Equatorial é considerada vital para o futuro do Brasil?

A Margem Equatorial é chamada de passaporte para o futuro porque deve garantir a reposição das reservas brasileiras quando a produção do pré-sal atingir seu pico, previsto para ocorrer entre 2034 e 2035. Estimativas da agência reguladora indicam que toda a região pode esconder mais de 30 bilhões de barris de petróleo. Se os volumes forem confirmados, o estado do Amapá poderá iniciar a produção comercial em cerca de seis ou sete anos. A estatal afirma que o projeto buscará integrar a exploração de combustíveis fósseis com tecnologias sustentáveis, visando uma transição energética justa para o país.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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