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Pix
A solução de pagamentos instantâneos Pix passa a operar em 16 de novembro.| Foto: Bigstock

As transações gratuitas, sem limites de dia ou horário e realizadas de modo praticamente instantâneo por meio do Pix prometem colocar players menores em pé de igualdade com os grandes bancos a partir de 16 de novembro. As vantagens do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central devem acabar de vez com um monopólio que desde a década de 2010 já vinha sendo abocanhado pelas fintechs e que passará a ser mordido também por outros interessados em operar soluções do segmento.

Pelas regras da nova plataforma, instituições bancárias e financeiras com mais de 500 mil contas ativas são obrigadas a participar do Pix, mas outras empresas financeiras e de pagamentos têm liberdade para aderir. Para isso, precisam oferecer contas transacionais (contas de depósito à vista, mais comumente conhecidas por contas-corrente, contas poupança ou pré-pagas) movimentadas pelo usuário final.

Dados do Banco Central do dia 14 de outubro apontam 980 participantes em processo de adesão ao sistema, apenas 34 dos quais são os obrigados a ingressar no Pix. Na listagem dos 946 interessados com participação facultativa aparecem bancos menores, startups do segmento (as fintechs), cooperativas de crédito, operadoras de cartões e companhias de e-commerce e pagamentos digitais, mas também postos de combustíveis, seguradoras e gigantes do varejo.

Antonio Cerqueiro, da consultoria Bain & Company, destaca que "dentre as cerca de 700 empresas já autorizadas pelo BC a operar [aquelas que passaram pelos testes de conformidade e segurança] tem as fintechs que são completamente novas e desvinculadas de qualquer coisa, mas tem muitas operações que são vinculadas a varejo, por exemplo. Todas as varejistas de grande porte têm operações financeiras relevantes e já oferecem crédito para os seus usuários [via cartões private label ou crediário], e é natural que evoluam para ter uma conta, para que essa conta transacione através do Pix”, avalia.

A perspectiva é de que empresas que já têm relações consolidadas com seus clientes busquem no Pix um meio de avançar na oferta de serviços.

Para Flávia Mansur Murad, especialista em propriedade intelectual com foco em inovação, “o Pix vem ao encontro dos pilares da descentralização e desintermediação de serviços bancários de pagamento em linha com a economia 4.0, digital". "Não depende de o pagador deter conta de depósito bancária, mas conta transacional”, diz.

Desse modo, seria muito fácil uma empresa oferecer ao consumidor uma conta para que ele faça o pagamento dos seus próprios serviços, mas que também pode ser movimentada para que o cliente pague quaisquer outros fornecedores.

Ainda segundo a especialista, “o Pix atende às exigências do novo consumidor quanto à simplicidade, agilidade e facilidade, no sentido de conveniência, e deve fazer com que os bancos percam cerca de 8% de seu faturamento” a partir da fuga das transações tarifadas.

A estimativa da Bain & Company é de uma migração de 30% do volume das transferências por meio TEDs e DOCs para a nova plataforma nos próximos cinco anos.

Mais concorrência, mais bancarizados

Responsável pela regulação do Sistema de Pagamentos Instantâneos, o Banco Central aponta como resultado esperado da operação do Pix um aumento na concorrência (com possível redução em taxas praticadas pelo mercado), mas também o aumento de acesso a serviços financeiros por pessoas que jamais tiveram relação com bancos – estimados em 40 milhões de brasileiros.

Em live recente, o chefe de subunidade do Banco Central Breno Lobo destacou que acredita na facilitação do processo de inclusão justamente por meio da segmentação.

“Muita instituição de nicho chega onde as instituições do sistema financeiro tradicional não chegam. Então tem gente focada nessa população mal servida e não bancarizada que vai conseguir ofertar um serviço de qualidade, fácil, rentabilizar como negócio e facilitar esse processo de inclusão”, pontuou.

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