
O governo federal já investiu R$ 17,5 bilhões no programa Pé-de-Meia para manter alunos carentes no ensino médio. Apesar do alto valor, dados do Censo Escolar de 2025 mostram que o número de matrículas continua caindo, levantando dúvidas sobre a eficácia da estratégia de incentivo financeiro.
Como funciona o benefício financeiro do programa?
O programa atende mais de 4 milhões de estudantes. Eles recebem R$ 200 no ato da matrícula e parcelas mensais de mesmo valor se mantiverem 80% de frequência nas aulas. Há ainda um bônus de R$ 1.000 por cada ano concluído e R$ 200 para quem faz o Enem. Ao final dos três anos, o aluno pode acumular até R$ 9.200.
O que os dados oficiais e independentes dizem sobre o sucesso da iniciativa?
O Ministério da Educação afirma que o abandono escolar caiu entre os beneficiários. No entanto, o Censo Escolar de 2025 revelou uma queda de 5,4% nas matrículas totais do ensino médio no Brasil. Especialistas alertam que os números do governo ainda carecem de validação acadêmica independente para provar que a melhora não seria apenas demográfica.
Quais as principais críticas pedagógicas ao modelo atual?
Educadores argumentam que focar apenas na presença física, sem exigir o aprendizado real ou desempenho nas avaliações, pode ser um erro. O receio é que o programa enfraqueça o compromisso com os estudos e a autoridade dos professores, já que o aluno recebe o dinheiro e é aprovado apenas por estar sentado na cadeira da escola.
Existem irregularidades apontadas nos pagamentos?
Sim. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou e mandou suspender pagamentos feitos a mais de 2.700 pessoas já falecidas. Também foram encontradas falhas envolvendo quase 13 mil estudantes com renda acima do limite permitido e casos de cidades que possuíam mais beneficiários do programa do que alunos matriculados.
Qual seria a alternativa para combater a evasão de forma estrutural?
Especialistas defendem que o incentivo financeiro sozinho não resolve o problema. A solução passaria pela reforma do ensino médio, tornando o currículo mais flexível e atrativo, com foco no ensino técnico. Além disso, o Brasil gasta com educação um percentual do PIB similar ao de países desenvolvidos, mas falha em transformar esse investimento em qualidade de aprendizado.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









