
Movidos pela inflação alta e desconfiança no dólar, cidadãos americanos iniciaram uma nova corrida do ouro no Oeste dos EUA em maio de 2026. O metal atingiu preços históricos, atraindo famílias que buscam proteção financeira fora do sistema bancário tradicional e do controle estatal.
O que causou o retorno da corrida do ouro nos Estados Unidos?
A principal causa é econômica: o valor do ouro disparou para níveis históricos, chegando a US$ 4.532 a onça-peso. Isso acontece porque a inflação nos EUA acelerou, diminuindo o poder de compra dos salários. Quando as pessoas perdem a confiança no dólar e no governo, elas correm para ativos reais, como o ouro, que mantém seu valor mesmo em épocas de crise financeira global.
Como esse movimento se diferencia do garimpo realizado no passado?
Hoje, os garimpeiros usam tecnologia de ponta, como mapeamento topográfico a laser (LiDAR), para achar locais ignorados no século 19. Além disso, muitos não lucram apenas com o minério, mas com a internet. Eles gravam suas aventuras e ganham dinheiro através de redes sociais como TikTok e YouTube, transformando a imagem de autossuficiência em Sierra Nevada em um produto digital para milhões de seguidores.
Qual é a influência da política atual nesse fenômeno?
Existe um forte componente de rejeição ao sistema tradicional. A indicação de nomes alinhados a Donald Trump para o Federal Reserve (o Banco Central americano) gera incerteza sobre os juros e a estabilidade da moeda. O próprio presidente estimula a desconfiança ao falar em 'padrão ouro' e pressionar a instituição por cortes de juros mesmo com a inflação em alta, o que empurra investidores para refúgios seguros.
De que maneira a crise do ouro nos EUA afeta o Brasil?
A instabilidade nos EUA encarece a vida do brasileiro médio. Como o dólar é visto como incerto, mas os títulos públicos americanos ainda atraem capital, o Real acaba se desvalorizando. Com a nossa moeda mais fraca, produtos básicos como trigo, combustíveis e fertilizantes ficam mais caros no Brasil, já que seus preços são definidos internacionalmente em dólar, gerando repasse de custos nos supermercados e postos.
Como o governo brasileiro está reagindo ao mercado de ouro?
Diferente dos EUA, onde o garimpo ressurge como fuga do Estado, no Brasil o governo está aumentando a fiscalização. Para evitar crimes ambientais em terras indígenas, o STF acabou com a 'boa-fé' na venda do minério. Agora, novas leis exigem rastreabilidade rigorosa e marcação física no ouro pela Casa da Moeda, além da criação de uma nova taxa de registro (Touro) para custear esse controle.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









