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Navio de passageiros Veendam atracado em Paranaguá no ano passado | Valterci Santos/ Gazeta do Povo
Navio de passageiros Veendam atracado em Paranaguá no ano passado| Foto: Valterci Santos/ Gazeta do Povo

No Caribe

Marisa Valério, editora-executiva de Economia

Limpo e simples

As instalações para recepção de turistas que chegam de navio são simples e eficientes na maioria das ilhas do Caribe. Nos locais em que as embarcações fazem escala apenas para passeio, os portos oferecem um píer limpo, bem pavimentado e bem sinalizado. Por perto ficam os serviços de apoio: barracas de bebidas, alimentos e de suvernires, e ponto de táxi – ou de "water taxi", muito comum para encurtar roteiros entre as praias. Nada é grande, rico, suntuoso, caro, sujeito portanto a mega licitações que tanto se prestam ao descaminho das verbas. Ao contrário. Mas há uma característica comum a esses portos: a limpeza, da água do mar e das áreas de circulação. E é o que basta para as dezenas de milhares de turistas que circulam na região durante todo o ano. Uma boa lição para os portos brasileiros com vocação para receber navios de passageiros e lucrar com eles.

Dificuldade para estacionar, filas, faltas de sinalização, desconforto generalizado. Problemas como esses, associados aos aeroportos brasileiros, também aparecem hoje nos portos nacionais. Estudo encomendado pela Associação Brasileiras de Cruzeiros Marítimos (Abremar), a primeira radiografia sobre infraestrutura dos espaços voltados aos passageiros de navio, é enfático: nenhum porto nacional está 100% adaptado à chegada dos transatlânticos.

Para Ricardo Amaral, presidente da Abremar e diretor da Royal Caribbean, existe uma contradição no setor. "Enquanto ele cresce em ritmo chinês [por volta dos 30% nas duas últimas temporadas], há destinos que sumiram. Outros, que recebem menos navios do que antes.’’

Procurada, a Secretaria Especial de Portos, que recebeu o estudo, segundo a Abremar, não se pronunciou.

Florianópolis (SC) está na lista dos portos que desapareceram das bússolas. "Há um bom projeto para a cidade, mas as instalações atuais são inseguras. O píer chega na areia e não tem nem proteção lateral. O risco de cair na água é grande’’, diz Amaral.

Desde a temporada 2008/ 2009 navios de cruzeiro não param mais em Canasvieiras. Mesmo os grandes portos, como Santos e Rio de Janeiro, que estão recebendo fluxo intenso de passageiros, têm problemas. "Em Santos, por exemplo, as mangueiras para abastecer de água o navio são muito antigas. Elas não dão conta. As empresas precisam alugar barcaças com água para poderem encher os reservatórios, o que aumenta o custo.’’

Para o passageiro a situação também é desconfortável. O porto do Rio não possui área de espera, "o que deixa o terminal muito cheio, confuso e desconfortável’’, segundo o estudo da Abremar. No Píer Mauá, no Rio, duas pequenas áreas externas, com bancos ao ar livre, expostos ao sol ou chuva, servem como local de espera.

O diretor de Operações do Píer Mauá, Américo Relvas da Rocha, justificou que a questão está relacionada à segurança. "Essa medida é intencional e aplicada no mundo todo. Precisa haver uma distância segura entre os navios e as áreas de livre acesso. Mas é um ponto que pode ser discutido para o novo plano de segurança.’’ A Abremar destaca ainda que deveria haver uma área alternativa para estacionamento de ônibus de excursão. A falta de espaço do lado de fora também é uma das queixas de guias turísticos, taxistas e passageiros.

Segundo o diretor de Operação do Píer, nos picos, o fluxo é de 200 ônibus de excursão por dia. Ele diz que as condições não são ideais, mas que haverá melhorias. A falta de infraestrutura, segundo a Abremar, impacta também as temporadas futuras. Dois grandes navios que estão no litoral anunciaram que não voltarão ao país.

O Porto de Paranaguá não tem tradição – nem estrutura – de receber navios de passageiros. Apenas em março do ano passado o terminal recebeu o primeiro transatlântico, com 1,3 mil passageiros, vindo de Punta del Este, no Uruguai.

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