
Para atrair investidores e garantir a sustentabilidade dos negócios, algumas organizações de proteção do meio ambiente estão profissionalizando sua gestão. Planos estratégicos de metas e balanços, expressões comuns no mundo corporativo, agora passaram a fazer parte do vocabulário dos ativistas.
A curitibana Sociedade de Pesquisa Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) viu no método uma forma de atrair um parceiro para seu novo programa, o Empreendedores da Conservação (E-Cons). O HSBC Seguros, financiador da iniciativa, investirá R$ 1 milhão nos próximos três anos em seis projetos-piloto reconhecidos como ações inovadoras na área de conservação da natureza.
Um deles é o de Terezinha Vareschi, que conserva uma área de mata nativa de 36 mil metros quadrados dentro do perímetro urbano de Curitiba. Para participar do E-Cons, ela precisou apresentar um plano de crescimento, com metas e resultados para os próximos 36 meses.
O empreendimento dela visa ampliar o número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM) na cidade, hoje ainda bastante reduzido, mas com potencial de crescimento. Desde que se comprometam a conservar a mata nativa local, os proprietários recebem uma série de benefícios com essas áreas, que inclusive podem se tornar um negócio lucrativo. Isenção de impostos, comercialização do potencial construtivo do terreno e exploração do ecoturismo na região da mata são algumas das vantagens oferecidas para aqueles que optam por entrar no programa.
"É uma possibilidade de transformar a conservação em um negócio como qualquer outro. Já existem RPPNMs que são aproveitadas desta maneira, com atividades comerciais sem impacto ambiental", explica Terezinha. Uma delas é a Reserva do Cascatinha, em Santa Felicidade, onde é mantido um parque de conservação particular em que são realizadas atividades de visitação e de ecoturismo.
De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, 97% dos 77 milhões de metros quadrados de mata nativa que existem em Curitiba estão localizados em áreas particulares. De 700 áreas potenciais, apenas cinco já se transformaram em RPPNM e outras 28 estão em tramitação. "Há uma grande possibilidade de expansão e é uma atividade que vai se sustentar além dos três anos de projeto", diz a empreendedora.
Para dar corpo ao projeto, ela criou a Associação dos Protetores de Áreas Verdes Relevantes em Curitiba e Região Metropolitana (Apave), que promove reuniões com proprietários de áreas com potencial de reserva para a troca de informações.
A Apave também já pressiona a administração municipal para que alguns critérios e leis sejam revistos, entre eles a possibilidade de que o potencial construtivo das RPPNM possa ser revendido a cada oito anos.







