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Sustentabilidade

Ativista atrai investidor com gestão profissional

Plano de metas e resultados passa a fazer parte do vocabulário das organizações de proteção ao meio ambiente

As empre­ende­doras Terezinha Vareschi (esq.) e Bianca Reinert e Clóvis Borges, da SPVS | Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
As empre­ende­doras Terezinha Vareschi (esq.) e Bianca Reinert e Clóvis Borges, da SPVS (Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo)

Para atrair investidores e garantir a sustentabilidade dos negócios, algumas organizações de proteção do meio ambiente estão profissionalizando sua gestão. Planos estratégicos de metas e balanços, expressões comuns no mundo corporativo, agora passaram a fazer parte do vocabulário dos ativistas.

A curitibana Sociedade de Pesquisa Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) viu no método uma forma de atrair um parceiro para seu novo programa, o Empreendedores da Conservação (E-Cons). O HSBC Seguros, financiador da iniciativa, investirá R$ 1 milhão nos próximos três anos em seis projetos-piloto reconhecidos como ações inovadoras na área de conservação da natureza.

Um deles é o de Terezinha Vareschi, que conserva uma área de mata nativa de 36 mil metros quadrados dentro do perímetro urbano de Curitiba. Para participar do E-Cons, ela precisou apresentar um plano de crescimento, com metas e resultados para os próximos 36 meses.

O empreendimento dela visa ampliar o número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural Mu­nicipal (RPPNM) na cidade, hoje ainda bastante reduzido, mas com potencial de crescimento. Desde que se comprometam a conservar a mata nativa local, os proprietários recebem uma série de benefícios com essas áreas, que inclusive podem se tornar um negócio lucrativo. Isenção de impostos, comercialização do potencial construtivo do terreno e exploração do ecoturismo na região da mata são algumas das vantagens oferecidas para aqueles que optam por entrar no programa.

"É uma possibilidade de transformar a conservação em um negócio como qualquer outro. Já existem RPPNMs que são aproveitadas desta maneira, com atividades comerciais sem impacto ambiental", explica Terezinha. Uma delas é a Reserva do Cascatinha, em Santa Felicidade, onde é mantido um parque de conservação particular em que são realizadas atividades de visitação e de ecoturismo.

De acordo com a Secre­taria Municipal de Meio Ambiente, 97% dos 77 milhões de metros quadrados de mata nativa que existem em Curitiba estão localizados em áreas particulares. De 700 áreas potenciais, apenas cinco já se transformaram em RPPNM e outras 28 estão em tramitação. "Há uma grande possibilidade de expansão e é uma atividade que vai se sustentar além dos três anos de projeto", diz a empreendedora.

Para dar corpo ao projeto, ela criou a Associação dos Protetores de Áreas Verdes Relevantes em Curitiba e Região Metropolitana (Apave), que promove reuniões com proprietários de áreas com potencial de reserva para a troca de informações.

A Apave também já pressiona a administração municipal para que alguns critérios e leis sejam revistos, entre eles a possibilidade de que o potencial construtivo das RPPNM possa ser revendido a cada oito anos.

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