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Chefe temporário vira opção para encarar a crise

Executivos interinos se tornam cada vez mais comuns e viram a solução para otimizar o resultado de empresas em época de economia ruim

  • PorDurval Ramos
  • 03/06/2016 22:00
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| Foto: Bigstock

A imagem do funcionário provisório é bastante comum, mas a crise fez com que esse perfil de profissional não se limitasse mais apenas a cargos gerais, chegando também à gerência das empresas. Pode parecer um pouco estranho à primeira vista, mas os chefes interinos estão se tornando cada vez mais comuns e surgem como uma tendência na gestão das grandes corporações.

Esse modelo de executivo temporário é algo que já existe há algum tempo em outros países, como Estados Unidos e França, mas que somente agora começa a ganhar força por aqui, principalmente em setores financeiros, de vendas e marketing. E a crise é a principal responsável por esse impulso.

De acordo com o gerente da Michael Page Humberto Wahrhaftig, a demanda de serviço desses gestores interinos cresceu cerca de 25% entre 2014 e 2015 e esse número segue subindo ano após ano. “Antes, a procura era apenas em São Paulo, mas está se espalhando para outros lugares. Em Curitiba, por exemplo, muitos executivos já estão começando a se interessar por esse modelo”, conta.

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Na maioria dos casos, são profissionais que foram desligados de suas companhias, mas que encontraram uma forma de voltar ao mercado. Para Wahrhaftig, a terceirização de cargos executivos é algo que as empresas estão aceitando mais exatamente por conta da situação econômica atual. Cada vez mais enxutas, a contratação desses chefes temporários se transformou em uma alternativa de cortar custos ao mesmo tempo em que otimiza processos. Sem precisar internalizar aquele profissional, a companhia evita certos gastos e se concentra em pontos que precisam ser ajustados ou desenvolvidos em sua estrutura.

O tempo em que esses gestores ficam nas empresas varia de acordo com os projetos nos quais estão envolvidos, mas os resultados não demoram a aparecer. Para Carlos Macedo, diretor geral da Innovativa, consultoria especializada em gestão interina, o principal benefício desses “executivos freelancers” é que eles utilizam a sua expertise com o mercado para render muito mais e em menos tempo.

“Eles chegam fazendo o que é necessário dentro de uma área, resolvendo um problema, implementando uma solução ou criando novos setores”, aponta. E, segundo Macedo, essa abordagem faz com que a troca de conhecimento se torne ainda mais intensa e vantajosa para a companhia, uma vez que o profissional está junto com o restante da equipe, vivenciando a realidade da empresa.

No bolso

Se o executivo temporário é mais barato para quem contrata, a remuneração de quem oferece esse tipo de serviço segue tão vantajosa quanto a de um chefe tradicional. Segundo Humberto Wahrhaftig, os valores não oscilam muito por uma combinação de motivos. “De um lado, as empresas não têm condições de pagar muito. Do outro, o salário não diminui muito porque há um patamar no marcado que regula o nível”.

A diferença, portanto, fica para a própria companhia. Como o executivo é um prestador de serviço, os custos para mantê-lo dentro da empresa são bem menores. “Um gestor interino chega a custar de 20 a 35% a menos do que um profissional CLT”, pontua Carlos Macedo.

E esse barateamento facilita também na recolocação no mercado. “Para alguém se reposicionar com CLT, pode levar até três anos dependendo da especialidade. Como interino, ele volta a trabalhar entre seis e meses e um ano”, conclui.

Funcionários ainda estranham alternativa do líder freelancer

Interinos precisam saber lidar com as incertezas e dúvidas de seus novos comandados

Por ser uma novidade dentro do mundo corporativo, o chefe temporário ainda é visto com muita estranheza pelos funcionários das empresas por onde passam.

Como explica Carlos Macedo, da Innovativa, as reações podem ser um pouco complicadas no início pela entrada de um desconhecido no processo, mas esse é um problema rapidamente superado.

“Você não mata o sonho de algum daqueles profissionais de se tornar o líder daquela área. Ele sabe que esse chefe é temporário e ainda vai se dedicar para alcançar aquela posição”, explica. Para ele, a equipe interna continua demonstrando seu potencial mesmo diante de um “estranho”.

Graças a esses pequenos embates, o gerente da Michael Page, Humberto Wahrhaftig, diz que o executivo interino precisa de muitas habilidades de relacionamento para lidar com essas questões. “Ele precisa ter uma capacidade de cativar as pessoas porque elas sabem que ele não ficará lá por muito tempo”.

Assim, o desafio está exatamente em extrair o melhor dos profissionais mesmo quando eles sabem que aquela chefia é transitória.

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