
O casal Marina e André Brik trabalha em empresas diferentes, mas no mesmo espaço: uma sala com banheiro na casa deles, no bairro Mercês, em Curitiba. Ela responde pela Jornalismo Corporativo, uma assessoria de imprensa; ele, pela Brik Marketing e Design. Ambos são parte de um universo cada vez maior de pessoas que adotaram o "home office" o trabalho em casa. André foi o primeiro a adotar o conceito, ainda em 2003. Três anos depois, foi a vez de Marina tomar o mesmo rumo. A experiência deu tão certo que eles também lançaram um site para contar como é a vida de quem trabalha em esquema de "home office", dando dicas para os iniciantes (o site é o www.gohome.com.br).
Depois de trabalhar por três anos numa agência de publicidade, Brik optou pela mudança em busca de melhores condições de trabalho. "Eu busquei abrir minha própria agência para poder ter mais autonomia e poder gerenciar o meu tempo. Não que eu tenha diminuído o tempo de expediente, confesso, mas eu acabo rendendo mais, ainda mais porque diminuíram as interrupções durante meu trabalho, predominantemente criativo", diz o publicitário.
Economia
O corte de custos também foi visível. Antes do "home office", o casal Brik tinha dois carros, um para cada um ir ao respectivo trabalho. Agora, eles possuem apenas um automóvel, que é utilizado apenas para reuniões externas com clientes. "Você ganha horas deixando de enfrentar o tráfego em, ao sair menos de carro, ajuda a diminuir a poluição", conta André.
Mas não são apenas os donos de pequenas empresas ou freelancers que estão adotando o "home office". Com a facilidade do acesso a internet banda larga, grandes empresas também estão percebendo que o funcionário pode ser mais produtivo em casa, além de eliminar gastos operacionais. A companhia aérea GOL, por exemplo, já conta desde 2008 com o projeto Home Based GOL, um modelo de atendimento ao cliente importado dos EUA e da Europa. Atualmente, 308 colaboradores já trabalham nesse esquema. Eles atuam na área de atendimento ao cliente, pelo site da empreas.
"Em uma cidade como São Paulo, um colaborador pode levar até duas horas ou mais no deslocamento entre a sua casa e o local de trabalho, sendo que sua carga de trabalho normalmente é de seis horas por dia. Trabalhando em casa, o profissional elimina esse tempo, aumentando significativamente sua qualidade de vida, evitando situações de estresse. Também permite uma melhor distribuição de seu tempo e melhor concentração", conta Rogério de Castro Nunes, gerente geral de relacionamento com o cliente da GOL.
Para garantir um local de trabalho adequado, antes da contratação a casa do colaborador é inspecionada por uma empresa especializada que verifica as condições do ambiente (barulho, higiene, localização, equipamentos, entre vários outros pontos).
A GOL conta ainda com um sistema que permite supervisionar os colaboradores. Um leitor biométrico, por exemplo, é usado como ferramenta de segurança em que o colaborador deve identificar-se a cada trinta minutos. "A medida visa evitar que outras pessoas trabalhem em seu lugar. O contato telefônico e pelo sistema de mensagens instantâneas também é constante e a empresa está desenvolvendo um sistema de identificação visual, por câmera, com visualização em determinados períodos do dia", explica Nunes.
Para o gerente da GOL, são necessários alguns cuidados para as pessoas que pretendem ingressar nesse modelo de trabalho. "É preciso alto nível de concentração, comprometimento e disciplina."
Dica
Samy dos Anjos, proprietária da marca de bolsas e carteiras Delatia, é uma das adeptas do trabalho em casa. Ela fez a mudança por questão pessoal: com duas filhas pequenas, optou por ficar mais perto da família. "Procurei um apartamento já pensando num espaço apenas para o escritório e o showroom dos produtos da fábrica", conta. "Estabeleço os horários de trabalho, mas caso minhas filhas precisem de alguma coisa, elas sabem que eu estou pertinho. Também economiza muito tempo."Curitiba ganha projeto de "coworking"
Curitiba deve ganhar nos próximos meses o primeiro espaço de "coworking" da cidade. O coworking é um novo conceito de trabalho, em que profissionais normalmente freelancers ou donos de pequenas empresas se unem para trabalhar num mesmo espaço físico. A ideia é manter a independência do "home office", mas sair do isolamento.
"Como parte da filosofia do coworking é ser um empreendimento participativo, estamos recrutando interessados para, junto com eles, definir o próprio espaço em si", conta Ricardo Dória, publicitário que está à frente da empreitada. Essa etapa de "cocriação" também foi usada durante o planejamento do The Hub, o primeiro espaço de coworking do Brasil, inaugurado em 2008, em São Paulo. "Através de um questionário, queremos descobrir o perfil dos coworkers em Curitiba e o tamanho de suas necessidades", diz Dória. Segundo ele, o interesse inicial foi bem acima do esperado.
O modelo negócios de escritórios de coworking funciona normalmente com uma mensalidade, que varia de acordo com a quantidade de vezes que o profissional utilizará o espaço. Dependendo do número de horas ou dias de uso do escritório, o cliente paga uma determinada taxa. No The Hub, por exemplo, a mensalidade varia entre R$ 50 e R$ 660.
Um dos grandes atrativos desse conceito é a possibilidade de networking com outros profissionais. "Um profissional que é freela de produção, por exemplo, e precisa de um projeto para internet, pode encontrar um webdesigner dentro do próprio coworking", afirma Dória. Segundo ele, o custo menor também é uma vantagem. "Digamos que alguém pague R$ 500 por mês para utilizar o espaço. Ele vai ganhar conexão de internet, sala de reunião, café, e não vai precisar se incomodar com aluguel, condomínio e estacionamento."
Serviço:
Para participar da fase de cocriação do escritório basta acessar o site www.coworkingcuritiba.com.br ou entrar em contato pelo email contato@coworkingcuritiba.com.br







