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Mesmo na crise, empresas têm dificuldade para contratar

Pesquisa mostra que 61% dos empregadores reclamam da falta de profissionais qualificados para preencher vagas abertas

  • PorJéssica Sant’Ana
  • 12/09/2015 16:00
Empresas ainda têm dificuldade para contratar técnicos. | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Empresas ainda têm dificuldade para contratar técnicos.| Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Apesar da taxa de desemprego no Brasil ter alcançado 8,3% no segundo trimestre deste ano – a maior desde 2012 –, a maioria das empresas tem dificuldades para contratar. Pesquisa feita pela empresa de RH ManpowerGroup mostra que 61% dos empregadores se queixam de problemas para encontrar profissionais com habilidades adequadas às posições abertas. O porcentual está acima do índice global, de 38%. O país está na quarta colocação, ao lado da Romênia, em um ranking com 42 nações com problemas para admitir talentos.

O que explica esse paradoxo de haver mais gente procurando emprego e, ao mesmo tempo, vagas em aberto é a falta de pessoas qualificadas. O CEO do ManpowerGroup, Riccardo Barberis, afirma que esse é um problema global. Faltam pessoas com experiência, tanto de habilidades técnicas quanto as chamadas soft skills, características relacionadas ao aspecto da personalidade, como flexibilidade, saber trabalhar sobre pressão, ser motivado, comunicativo, entre outros.

Tecnologia virou commodity, não é mais um diferencial competitivo. Capital também não. Hoje você pode procurar dinheiro em qualquer lugar do mundo. O real diferencial da economia do futuro é ter talentos para fazer a empresa evoluir na crise

Riccardo Barberis, CEO do ManpowerGroup

No Brasil, os cargos mais difíceis de serem preenchidos são os de nível técnico. Para Barberis, isso acontece porque falta investimento em cursos específicos para atender as demandas do mercado. “Entre as razões para essa escassez de talentos está a falta de competência técnica. Há quase que um elemento cultural que devemos vencer que é aquele conceito de que alguém que estuda em um curso técnico faz uma escola de segundo escalão. Uma economia não pode viver somente de advogados e médicos”. Ele afirma que a formação específica oferece aos jovens rentabilidade imediata, pois normalmente é mais fácil conseguir emprego. Além disso, com competência técnica o profissional pode empreender.

Para as empresas, a falta de mão de obra resulta em baixa qualidade no atendimento prestado aos clientes. Barberis recomenda aos setores de departamento pessoal uma postura ativa na hora de procurar talentos. Ele acredita que os empresários devem investir nas novas tecnologias, como as redes sociais, e focar em segmentos que antes não se procuravam, como candidatos mais experientes e mulheres retornando ao mercado de trabalho. Identificar e treinar os funcionários que já fazem parte da equipe para novos cargos também é uma solução.

Contratação

Apesar da dificuldade para encontrar talentos, alguns segmentos mantêm processos de seleção constantes e conseguem encontrar profissionais com o perfil desejado. Entre eles, estão o setor de finanças, saúde, engenharia e tecnologia. A área de construção civil é a que mais sofre para contratar.

Mas, para o último trimestre deste ano, somente a área de Administração Pública/Educação tem expectativa na intenção de contratação, com alta de 5%. Os outros sete segmentos pesquisados apresentam expectativa negativa para os últimos meses do ano. Em relação ao porte das empresas, as grandes companhias estão quase que estagnadas, pois a maioria (63%) não prevê mudanças no quadro de funcionários no quarto trimestre. Barberis explica que elas já cortaram muitas vagas e perder novos talentos representa um risco grande para os negócios.

Empresas contratam menos e trabalho temporário é opção

As expectativas de contratação para o último trimestre deste ano não são nada animadoras. No Brasil, apenas 9% dos empregadores devem fazer novas admissões, enquanto 23% preveem uma diminuição. Com isso, os dados da expectativa de criação de vagas ficam em -10%, já com os ajustes sazonais. É a perspectiva mais baixa desde 2009. No Paraná, o índice é de -7%, valor que é 19 pontos porcentuais menor do que no mesmo período do ano anterior. Os dados são da Pesquisa de Expectativa de Emprego Q4 do ManpowerGroup.

Apesar da perspectiva negativa, o CEO do ManpowerGroup, Riccardo Barberis, afirma que o trabalho temporário deve ser visto como uma porta de entrada para o emprego efetivo. Ele é uma chance para ampliar competências e aprimorar o currículo. O executivo orienta também que os profissionais busquem aprendizado constante, não se limitem a procurar vagas somente na cidade em que moram e avaliem suas opções de trabalho regularmente.

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