
Para driblar a concorrência do mercado por profissionais qualificados, as empresas estão pulando etapas e buscando novos funcionários nas universidades. Com a ajuda de professores e coordenadores dos cursos, muitas companhias decidiram apostar em profissionais que ainda estão na sala de aula, mas já mostram grande potencial. Para os alunos, a prática comprova que o networking no meio universitário pode encurtar o caminho para uma boa vaga no mercado de trabalho.
É comum que muitos alunos menosprezem a importância do relacionamento construído em sala de aula para a carreira. No entanto, muitos professores, por exemplo, também são funcionários, gestores ou consultores de grandes companhias nacionais e multinacionais e podem facilitar o intercâmbio entre as universidades a as empresas. Embora as companhias recorram cada vez mais a indicações de coordenadores de diversas instituições, a maioria prefere não divulgar abertamente a prática.
Em fevereiro deste ano, gestores de uma grande empresa procuraram o coordenador do curso de Logística da Estácio, Marco Antonio de Andrade, atrás de indicações de alunos do quarto período. Por coincidência, lembra ele, alguns alunos que estavam para se formar em Processos Gerenciais, Logística e Marketing já o haviam procurado para uma recolocação no mercado de trabalho. O networking deu certo e o aluno indicado foi efetivado pela empresa.
Aluno da graduação tecnológica em Logística da Faculdade Estácio, Cleomar Bussolotto, de 31 anos, veio do Rio Grande do Sul e teve dificuldade para se recolocar no mercado em Curitiba. Mesmo com experiência de dez anos em logística, ele não tinha a formação acadêmica na área. Recorreu a agências de recrutamento e fez inúmeras entrevistas de emprego, mas a colocação veio mesmo por intermédio da faculdade. "Comecei o curso em fevereiro e em maio apareceu a vaga", conta. Foram nove testes até a efetivação na Brasil Sat, onde ele está há três meses.
No curso de Biomedicina da UniBrasil, o estágio costuma ser a principal porta de entrada para o mercado. "Quando os laboratórios nos ofertam vagas de emprego, acabamos indicando os alunos que se destacaram no estágio", conta a coordenadora do curso, Lilian Pereira Ferrari. "Neste caso, nem sempre o aluno que tem as melhores notas é aquele mais comprometido com outras atividades que vão agregar experiências positivas a sua carreira", afirma.







