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Apesar das críticas da oposição, o mercado financeiro recebeu bem o depoimento antecipado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na quarta-feira. Para os analistas, Palocci não teve medo de se explicar - o que demonstrou responsabilidade. Mas a crise política está longe de terminar.

- O que ele fez foi dar uma defesa muito forte, muito enfática, de que a sua gestão foi correta. Portanto, não há motivos políticos para tirá-lo do Ministério da Fazenda. O tom foi favorável ao ministro, então não vejo um cenário em que a oposição vai bater forte no Ministério da Fazenda, justamente porque percebe que isso pode afetar o desempenho econômico - analisa o economista Roberto Padovani.

Para os analistas, as declarações do ministro Palocci são insuficientes para dissipar a crise política, mas foram bem recebidas - entre outras coisas - porque mostram que o ministro incorporou uma das principais regras do mundo financeiro. O mercado, que sempre se antecipa aos fatos, gostou da estratégia de Palocci de falar antes de ser convocado por uma CPI.

- Ele mesmo antecipou, na medida em que ele sabia, ou percebia, ou sentia, que uma demora de vários dias até o seu depoimento criaria várias situações que poderiam ser negativas para o mercado. A perspectiva, ou a possibilidade, ou a probabilidade, do Palocci continuar ministro cresceu bastante - observa o economista João Marcus Nunes.

Se sobraram elogios à postura do ministro, o mesmo não se pode dizer sobre a condução da política econômica. Empresários e até integrantes do governo aproveitaram a oportunidade para criticar os juros altos.

- O problema da permanência ou não do ministro é um problema do ministro e do presidente da República. Não é um problema para nós. O que me preocupa é a política econômica. Muitas vezes, você pode, com o mesmo ministro, ter mudanças na política econômica e outras vezes mudar o ministro e não mudar a política econômica. O que está me interessando e interessando à sociedade brasileira é uma mudança da política econômica - , diz o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

O ministro da Defesa e vice presidente da República, José Alencar, também criticou a política econômica:

- Ele foi muito firme, deu uma demonstração de que, no que ele está fazendo, ele fala com absoluta segurança. Então ele acredita no que está fazendo. Eu até o admiro por isso, por ele acreditar no que está fazendo. Eu acho que está errado, mas ele acredita - comentou.

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