O assunto deste artigo, geralmente, é evitado pelas organizações, mas está presente nas empresas dos mais diversos portes e segmentos. Por esse motivo, a saga de Mário, personagem desta história, deve ser analisada de forma bastante crítica. Não pretendo, no entanto, julgar o comportamento de determinadas pessoas, mas mostrar que algumas atitudes podem ser destrutivas no meio organizacional.
Mário descende de uma família muito simples, do interior do Estado. Ainda menino, mudou-se para a capital e, graças ao esforço dos pais, formou-se num curso de Administração. Seu primeiro emprego, aos 19 anos, foi de vendedor de um laboratório internacional, experiência que lhe proporcionou visão empresarial, senso de organização e metodologia de trabalho. Seu talento para vendas lhe garantiu destaque no grupo, onde logo foi promovido a supervisor.
Quando percebeu que o ciclo de sua carreira no laboratório havia terminado, Mário foi em busca de desafios maiores. Ingressou, então, em uma multinacional da área de alimentos, na qual permaneceu por muitos anos. Nesse meio-tempo, Mário adquiriu estabilidade financeira e confiança em seu desempenho profissional. As tarefas que se propunha a realizar eram, via de regra, facilmente concluídas por ele. Por isso, acostumou-se a ser reconhecido pela empresa, que o premiava constantemente com promoções ou bonificações.
O executivo tinha alcançado um patamar ao qual poucos haviam chegado. Talvez por essa razão Mário tenha procurado outros desafios, novas conquistas para sua realização pessoal. O administrador cultivou, simultaneamente ao crescimento de sua carreira, o gosto pelas aventuras extraconjugais. Mário, casado havia muito tempo com uma colega de faculdade, sentiu que outras mulheres poderiam lhe devolver o entusiasmo de outrora, experimentado somente quando finalizava um grande projeto ou solucionava um problema crucial.
Então, desenvolveu um hábito peculiar: não podia estar com uma mulher sem tentar conquistá-la. Insinuava-se para as colegas de trabalho, promotoras externas e, até mesmo, para suas clientes. Muitas das investidas resultaram em casos ardentes, mas de rápido fim. A cada término de relacionamento, Mário buscava mais oportunidades para conhecer novas mulheres. Participava de todas as festas organizadas pela empresa e jamais faltava a uma happy hour. Tudo era motivo - e ocasião - para flertar com o sexo oposto.
Desse modo, sua fama espalhou-se pela organização e chegou ao conhecimento da diretoria. Mário foi chamado para justificar sua postura, mas se recusou a dar explicações. O executivo alegou que seu desempenho profissional não havia sido afetado - pelo contrário: os casos amorosos o estimulavam a produzir mais e mais, e os resultados de seu setor eram os melhores de toda a empresa. Mesmo assim, os diretores foram irredutíveis e desligaram Mário da organização, pois os valores éticos do profissional não condiziam com os do grupo, que valorizava a família, a verdade e um ambiente de trabalho saudável. Hoje Mário está desempregado, sem esposa e sem perspectivas de futuro.
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Cada vez mais as empresas valorizam profissionais éticos, que adotam uma postura idônea tanto no local de trabalho quanto na vida pessoal. Pois hoje se sabe que um ambiente saudável incentiva a produtividade e que o comportamento social dos colaboradores tem influência sobre a imagem de um grupo no mercado. Em função disso as organizações procuram desestimular atitudes que possam ir contra os valores morais da sociedade, demitindo aqueles que apresentam um comportamento egoísta e irresponsável. Atualmente, mais do que nunca, fidelidade às pessoas e às organizações pode fazer toda a diferença.
SAIBA MAIS...Reutilização da água
A companhia de alimentos Perdigão deu início em 2000, na unidade de Serafina Correa (RS), a um sistema de reutilização de água nas suas áreas externas. Em 2003, o trabalho foi ampliado e hoje a empresa o mantém em 15 filiais, instaladas em Santa Catarina, Paraná e Goiás, além de Rio Grande do Sul. A água que resta do processo de produção passa por tratamentos físicos, químicos e biológicos em estações de tratamento de efluentes, estruturas presentes em cada uma dessas sucursais.
Depois de tais etapas, ela não serve mais para consumo humano nem animal, mas é aproveitada no resfriamento de bombas e motores, na lavagem de caminhões e pátios, no transporte de resíduos, na purificação de gases e na irrigação de áreas verdes. Algumas unidades chegam a reutilizar 65% do que foi consumido na cadeia produtiva. A quantidade total de água reciclada pela Perdigão abasteceria uma população de 50 mil habitantes de classe média.
Bernt Entschev é presidente do Grupo De Bernt. Empresário com mais de 36 anos de experiência junto a empresas nacionais e internacionais. Fundador e presidente do grupo De Bernt, formado pelas empresas: De Bernt Entschev Human Capital, AIMS International Management Search e RH Center Gestão de Pessoas. Foi presidente da Manasa, empresa paranaense do segmento madeireiro de capital aberto, no período de 1991 a 1992, e executivo da Souza Cruz, no período de 1974 a 1986







