Quanto menor o preço que uma companhia geradora aceita receber por sua energia, mais viável é seu empreendimento e sua fonte de energia. E os leilões realizados desde 2009 pela Aneel vêm derrubando a tese de que a eletricidade gerada a partir do vento é economicamente inviável no Brasil.
É pouco provável que a energia eólica fique mais barata que a das grandes hidrelétricas, cujos preços têm ficado quase sempre abaixo de R$ 80 por megawatt-hora (MWh). Mas ela já deixou para trás as termelétricas de fontes renováveis, como bagaço de cana, ou fósseis e mesmo as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).
Até poucos anos atrás, a energia eólica dificilmente saía por menos de R$ 250 por MWh. Nos três leilões realizados em 2009 e 2010, no entanto, ela foi vendida às distribuidoras por preços sempre inferiores a R$ 150, chegando a R$ 122,69 no último certame, dois meses atrás. Esses são os preços de venda no mercado regulado; no mercado livre, em que a geradora negocia diretamente com a empresa consumidora, os valores são mais altos.
"A vantagem do leilão, que negocia a energia do mercado regulado, é o longo prazo. Os contratos garantem demanda ao gerador por 20 anos. Por sua vez, a vantagem do livre, cujos contratos são de curto prazo, está no preço, em geral mais alto", explica a advogada Marília Bugalho Pioli.
Burocracia
Por mais atraente que esteja se tornando o mercado eólico, o investidor precisa de uma boa dose de persistência para participar dele. O primeiro passo é negociar o arrendamento das terras, geralmente com agricultores ou pecuaristas em certas regiões, é preciso cuidado para não ser enganado por posseiros, grileiros ou mesmo cartorários. Arrendada a área, o investidor precisa de autorização da Aneel para construir seu parque. E o primeiro passo para isso é fazer a medição dos ventos por, no mínimo, três anos. "Esse é apenas o começo. A papelada exigida é gigantesca. Quando fomos à Aneel, em Brasília, levar a documentação de cinco parques, estávamos em seis pessoas. E cada uma carregou duas malas cheias de documentos", conta Marília.
Complemento
O "boom" de investimentos em energia eólica, por mais duradouro que seja, não fará o Brasil prescindir de hidrelétricas. O vento não é armazenável e nem constante, de modo que nenhuma usina eólica opera o tempo todo. Mas os parques eólicos podem, aos poucos, substituir as termelétricas como fonte complementar às hidrelétricas. Isso porque os ventos são mais fortes e constantes justamente nas épocas de seca, quando os reservatórios ficam mais baixos.



