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R$ 1 milhão

Professora de inglês diz que inventou Pix em ação contra o BC

Pedido de suspensão nacional do Pix foi negado logo no início. BC contestou criticando projeto supostamente plagiado.
Pedido de suspensão nacional do Pix foi negado logo no início. BC contestou criticando projeto supostamente plagiado. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Uma professora de inglês e empresária acionou a Justiça Federal contra o Banco Central (BC), alegando que inventou o funcionamento do mecanismo de pagamentos instantâneos antes da criação do Pix. Com isso, ela pede R$ 1 milhão por violação de direitos autorais, além de divisão de lucros e royalties pela utilização do sistema.

Na petição inicial, Anette Toppan aponta para o registro, na Biblioteca Nacional, do que nomeou como Projeto CellToken. O sistema usaria os créditos dos celulares para permitir o pagamento de seus cursos e materiais.

De acordo com uma das decisões, a autora alega que "a metodologia criada para a plataforma 'Tá Pago' foi plagiada pelo Bacen, a partir do contato que a empresa Ta Pago Produtos Digitais S/A teve com a autarquia, com o fim de garantir autorização de funcionamento, por ser uma fintech." Em nota (leia na íntegra ao final), a empresa disse que não faz parte do processo nem fez qualquer pedido relacionado ao pix, esclarecendo que o nome e a marca "vêm sendo utilizados por terceiro de forma indevida, sem qualquer autorização da companhia".

Anette chegou a pedir a suspensão do Pix, mas a liminar foi negada pela juíza Iolete Maria Fialho de Oliveira, da 22ª Vara Cível do Distrito Federal.

"Quanto ao pedido de suspensão do Pix, ainda que vigorasse por 1 (um) dia, resultaria em graves prejuízos econômicos à sociedade, uma vez que é notória e amplamente utilizado como o maior meio de pagamento do Brasil, conforme levantamento feito pelo Banco Central em 2024 [...], nos quais milhões de reais são movimentados diariamente, [...] dada a facilidade de uso e a gratuidade de taxas para pessoas físicas, mas que passariam a enfrentar dificuldades nas transações comerciais com a paralisação", justificou a magistrada.

O BC contestou os pedidos afirmando que "as ideias, metodologias e fluxogramas nele contidos são, no mínimo, tecnicamente pueris, não passando nada mais de um brainstorm, um rascunho incipiente de um sistema". O órgão ainda afirma que mecanismos de conversão de créditos em pagamento já existem pelo menos desde 2004.

"A existência de pagadores e recebedores é inerente a todo e qualquer arranjo de pagamento do país, na medida em que a movimentação de recursos financeiros demanda a existência de alguém que envia os recursos – o pagador – e aquele que recebe os recursos – o recebedor", argumenta.

O processo foi protocolado em setembro de 2024 e segue em tramitação. No último despacho, de maio de 2026, a juíza retirou o sigilo dos autos e negou pedidos para que seja realizada uma perícia e para que o BC seja obrigado a fornecer todos os documentos de funcionamento e atas das reuniões em que o Pix foi planejado. A decisão ainda determina que o órgão monetário traduza e reenvie documentos em inglês.

O que diz a "Tá Pago"

A "Tá Pago" enviou nota à reportagem:

"A TÁ PAGO - empresa independente, com tecnologia própria, produto consolidado e trajetória construída com seriedade, inovação e compromisso com seus usuários, clientes e parceiros - foi, recentemente, surpreendida com a ampla divulgação de ação judicial na qual seu nome vem sendo mencionado, apesar de não integrar a demanda, nem formular qualquer alegação ou reivindicação relacionada ao desenvolvimento do PIX perante o Banco Central do Brasil.

A empresa esclarece que detém a integralidade do controle dos direitos sobre sua marca e seus produtos, que seguem suas operações normais, sem relação com a reivindicação de terceiro noticiada. Também declara, de maneira clara e categórica, que não existe qualquer relação entre o sistema TÁ PAGO e o desenvolvimento do PIX pelo Banco Central do Brasil.

Esclarece ainda que o nome e a marca TÁ PAGO vêm sendo utilizados por terceiro de forma indevida, sem qualquer autorização da companhia. Associar a TÁ PAGO às alegações discutidas na referida demanda não reflete a realidade processual e pode induzir o público a erro.

A circulação de informações imprecisas em veículos de comunicação e redes sociais gera confusão ao público e pode causar prejuízos à reputação de uma empresa que construiu sua credibilidade com seriedade e trabalho.

Nossa equipe jurídica permanece à disposição dos veículos de comunicação para prestar os esclarecimentos que se façam necessários.

A TÁ PAGO segue firme em sua missão: simplificar os meios de pagamentos, gerando valor real para seus usuários, clientes e parceiros.

Nossa reputação é um ativo inegociável."

Atualização

Incluímos o posicionamento da Tá Pago, bem como o link para a decisão original e a citação do trecho da decisão que menciona a empresa.

Atualizado em 02/07/2026 às 15:56

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