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Representantes de startups brasileiras participam de imersão em Santiago (Chile), em março de 2019
Representantes de startups brasileiras participam de imersão em Santiago (Chile), em março de 2019 (Foto: Divulgação/Assessoria)| Foto:

Em sua sétima edição, o programa StartOut Brasil vai levar 19 startups brasileiras para uma imersão em Toronto, no Canadá, no mês de junho. No país, representantes das companhias vão conhecer o ecossistema local, terão agendas de reuniões com possíveis clientes e investidores para dar a largada no processo de internacionalização.

De acordo com o subsecretário de Inovação do Ministério da Economia, Igor Manhães Nazareth, o StartOut nasceu de um entendimento do governo federal e de outros players sobre a necessidade de mudar o mindset das companhias “para que elas nasçam já pensando global. Muitas são criadas com foco apenas local, regional, nacional, a gente quer que elas surjam se posicionando para o mundo, esse é o objetivo do programa”, resume.

Lançado em 2017, o programa já passou por Buenos Aires, Paris, Berlim, Miami, Lisboa e Santiago e acumula 72 startups participantes, das quais 28 tiveram negócios facilitados até o momento. São quase 40% de empresas que tiveram resultados concretos como negociação de investimentos, formalização de parceria com grandes empresas, contratos para a distribuição de produtos e exportação ou a própria instalação no ecossistema externo.

As startups participantes são selecionadas a partir de uma triagem realizada pelo corpo de organizadores do programa, que reúne os Ministérios da Economia e das Relações Exteriores, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Junto deles, avaliadores pertencentes ao ecossistema de destino também opinam, de modo levar para cada missão as startups que tenham mais chance de sucesso. “O que a gente faz é um processo seletivo rigoroso para avaliar se elas têm potencial para se adaptar e se beneficiar daquele mercado”, revela o subsecretário.

Resultados

Participante de dois ciclos do programa, a empresa TNS Nanotecnologia colhe frutos das missões um ano após a primeira delas, a Berlim, feita em maio de 2018, seguida de Santiago em março deste ano. De acordo com o Managing Director, Gabriel Nunes, a companhia já exportava soluções químicas para a Itália, mas as portas da Europa se abriram definitivamente após as viagens: hoje clientes de sete países compram da startup brasileira.

Outro resultado, classificado por Nunes como enriquecedor, foi além da parte financeira. “A consultoria é pré-missão, pós-missão, e esse acompanhamento nos auxiliou também a desenvolver competências dentro da empresa”, destaca. O apoio e a preparação para a imersão no ecossistema também merecem destaque na avaliação de José Rubinger, CCO da Key2enable Assistive Technology, que também esteve no ciclo chileno e garantiu um posto na missão canadense.

“[Internacionalizar] é como se você estivesse recomeçando a startup, você está abrindo a empresa de novo, e o StartOut permite que você não cometa erros”, considera o empreendedor, em alusão ao “encaixe” feito entre as startups selecionadas e o ecossistema de destino. Voltada ao desenvolvimento de tecnologias que viabilizam acesso e autonomia para pessoas com deficiência, a empresa espera resposta para uma negociação com investidores no Chile, já como resultado dos contatos estabelecidos na missão anterior.

De olho em seguir por trilha semelhante, o estúdio de animação Hype embarca em junho rumo a Toronto. “ Há dois anos a gente começou a namorar o Canadá, então para a gente é superimportante essa viagem’, revela o CEO Gabriel Garcia. Especializada em criação de conteúdo para tevê e cinema, com parceiros do calibre de Disney e Nickelodeon, a empresa aposta em mergulhar de vez no país, que tem despontado como polo de animação e games.

Como funciona

O programa é destinado a startups estabelecidas que, preferencialmente, faturem acima dos R$ 500 mil ou que tenham recebido algum tipo de investimento. Outro requisito cobrado para ser elegível é a demonstração de capacidade para expandir os negócios para o exterior sem comprometer a operação nacional.

A cada ciclo do StartOut é feita a seleção de até 20 startups com potencial para dar o salto. Ao ingressar no programa, elas passam por três fases. Na primeira, as empresas escolhidas têm acesso a consultoria especializada em internacionalização, mentoria com especialistas originários do ecossistema de destino e treinamento para pitch.

A segunda etapa é a viagem. Durante a missão de negócios, as startups cumprem agenda voltada à prospecção de clientes e a aproximação a ambientes de inovação, com visitas a aceleradoras, incubadoras e empresas locais, seminários de oportunidades, rodadas de reuniões e encontros e demo days para investidores.

No pós-missão é a vez do diagnóstico e de definição das estratégias de cada startup para a internacionalização, com apoio dos organizadores em cada passo do caminho. A meta é levar 240 empresas para o exterior até 2021.

Para cada ano, a meta do governo federal é realizar quatro missões. Em 2019, a programação ainda tem imersões para Boston e Xangai, além da viagem para Toronto, já fechada. As inscrições para os interessados na missão de negócios à cidade norte-americana abrem em 24 de maio, no site do programa.

As atividades de preparação e mentoria são gratuitas, mas os custos com a missão são de responsabilidade de cada startup, que deve arcar com passagem aérea, hospedagem e alimentação.

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