Quando um país se torna "grau de investimento", os investidores estrangeiros passam a olhá-lo com mais carinho. Aceitam receber juros mais baixos nos empréstimos que fazem ao governo e perdem o medo de fazer aplicações duradouras, deixando de se limitar à especulação diária das bolsas de valores. Também mostram mais interesse em financiar empresas do país, pois, em uma economia mais equilibrada, a chance de retorno é maior. Em resumo, entram mais recursos, a custos menores, e menos vulneráveis às mudanças de humor do mercado financeiro. Grosso modo, "dinheiro bom", do tipo que costuma acelerar a geração de riquezas e empregos.
Era para ter sido assim com o Brasil a partir de meados de 2008, quando o país foi promovido por duas agências de classificação de risco. Mas em setembro veio a crise, e não houve nota azul que segurasse os dólares por aqui, em especial os que estavam aplicados "em carteira", ou seja, em ações ou títulos de renda fixa. De setembro a fevereiro, quase US$ 23 bilhões aplicados no mercado fugiram do país, espantados pela dita "aversão ao risco".
Mas, independentemente da opinião das agências de rating, a consolidação da economia brasileira nos últimos anos já motivava, por si só, a atração do chamado investimento estrangeiro direto aquele que é aplicado na "economia real", em novas fábricas, por exemplo. Desde 2005, a entrada desse tipo de recurso triplicou, atingindo US$ 45 bilhões no ano passado. As notas atribuídas por S&P e Fitch serviram, portanto, para atestar aquilo que muitos investidores já sabiam e, se vier, a nota mais alta da Moodys deverá reforçar a boa vontade dos gringos em relação ao Brasil.
Impactos
"O efeito de um terceiro grau deve ser mais limitado. Ele não representa uma novidade, e sim uma ratificação", avalia Sílvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin. Como é esperada há alguns meses, a reclassificação do Brasil pela Moodys também já vem sendo "precificada" pelo mercado. "A Bovespa não chegou aos 60 mil pontos à toa", comenta Mário de Almeida, gerente da regional paranaense da Gradual Investimentos.
Mas haverá ao menos uma novidade relevante se a Moodys confirmar a elevação da nota brasileira: centenas de fundos de investimento e de pensão do exterior estão apenas aguardando o novo grau para colocar dinheiro aqui. "Há muitos fundos que, por estatuto, só podem aplicar recursos em países que tenham as três notas [da S&P, da Moodys e da Ficth]", diz Almeida. "Por isso, não podemos desprezar de saída o potencial desse terceiro grau. Deve entrar bastante dinheiro e, na nossa estimativa, o ingresso de recursos deve fazer o dólar cair para R$ 1,70 até o fim do ano."



