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Prototype faz NY parecer chata

Jogo da Activision incorpora tantos clichês que acaba reduzindo a ação à mediocridade

Alex Mercer, protagonista de Prototype: elementos de Homem Aranha e de Wolverine, entre outros | Arquivo
Alex Mercer, protagonista de Prototype: elementos de Homem Aranha e de Wolverine, entre outros (Foto: Arquivo)

Nova Iorque - Nova Iorque nunca me havia deixado entediado.

No entanto, eu estava em algum lugar próximo à rua 14 – explodindo tanques, levantando carcaças de automóveis e atirando-as contra os helicópteros, agarrando transeuntes inocentes e consumindo-os para melhorar minha saúde – quando fiz algo completamente estranho. Gritei.

Prototype, o novo jogo de ação e aventura da Activion, apropria-se quase sem vergonha alguma de clichês das histórias em quadrinhos e os entrega de volta ao jogador. O Homem Aranha está lá, com certeza. Wolverine, certamente. Hulk, presente e lembrado.

Mas Alex Mercer, o protagonista de Prototype, não é nenhum Peter Parker ou Bruce Banner. Ele não é nem mesmo tão interessante quanto Cole McGrath, personagem central de Infamous, outro grande jogo de super-heróis. Mercer parece mais com uma máquina mecânica de matar tentando transformar Manhattan em sua zona de combate pessoal.

Não há dúvida que os videogames em geral estão se tornando cada vez mais sofisticados na sua forma de contar histórias. A chave é equipar a ação com um pouco de engenho, um certo estilo, inteligência, alguma profundidade moral ou ambiguidade. Apesar disso, eles ainda sofrem severas críticas por serem, muitas vezes, pouco mais do que simuladores descerebrados de violência.

Prototype não serve muito bem para rejeitar essa definição. Estritamente como como um exercício visual de apertação de botões, ele é adequado. Mas mesmo no nível mais básico e mecânico –explosões, cadáveres voando pelos ares, movimentos acrobáticos de luta – o jogo raramente eleva-se além da mediocridade.

Isso não quer dizer que Prototype é totalmente sem graça. Activision, o fabricante, cujos hits incluem Guitar Hero e Call of Duty, é experiente demais para isso. Mas uma boa palavra para definir Prototype é "genérico". E para um preço de US$ 50 a US$ 60 (no mercado americano), ser meramente genérico não é o suficiente.

O enredo, inteiramente previsível, é o seguinte: você, o jogador, acorda como cobaia de um obscuro laboratório de pesquisa genética. Naturalmente, você escapa dos cientistas malvados e descobre que foi dotado de todo tipo de habilidades sobrenaturais, como cair de alturas tremendas sem se machucar e liberar lâminas semelhantes a foices de seu antebraço.

Enquanto isso, Manhattan transformou-se em um campo de batalha. Forças militares de ocupação estão combatendo sem piedade a população local, transformada – adivinhou! – em mutantes e zumbis por um vírus disseminado como parte de uma conspiração governamental. Naturalmente, você está com amnésia e passa boa parte do jogo tentando descobrir o que está acontecendo.

Em uma comparação inevitável com outro título de game, Infamous (da Sucker Punch Productions), Prototype é definitivamente mais dark e adulto em seu tom. Infamous é sobre escolhas morais, permitindo ao jogador decidir se vai se comportar de maneira nobre ou egoísta na hora de restaurar a ordem no caos urbano do jogo. Prototype , em contraste, encoraja o jogador a tratar os moradores de Nova Iorque como gado. Mesmo Grand Theft Auto 4, também passado em Nova Iorque, obriga o jogador a confrontar-se com as consequências da violência contra inocentes. Essas consequências não estão presentes em Prototype.

Tudo isso seria perdoável se a luta em Prototype fosse empolgante ou se a rendição da cidade fosse detalhada e interessante. Lamentavelmente, não é o caso. Em vez de fazer os adversários interessantes, o jogo simplesmente os acrescenta, em quantidade cada vez maior. Cercado por dúzias de inimigos, fica muito difícil fazer os movimentos de combate que você desejaria. Eu me encontrei algumas vezes apertando botões aleatoriamente e esperando que uma saída aparecesse.

Pode-se dizer muitas coisas sobre Nova Iorque, mas dificilmente alguém diria que ela é insípida. Em Prototype, no entanto, a cidade inteira consiste em um punhado de edifícios, repetidos ad nauseam. Isto dito, a única coisa que o jogo tem de especialmente bacana é a forma de locomoção. Numa espécie de corrida de obustáculos com esteróides, você pode saltar de um telhado para o outro, escalar a fachada de arranha-céus e dar voltas em torno de Manhattan como se fosse um playground.

Mas isso não é suficiente para recomendar Prototype. Pior: a versão Windows tem problemas de áudio, como diálogos inaudíveis, que o fazem quase impossível de jogar (o game está disponível ainda nas plataformas Xbox 360 e PlayStation 3). Se as produtoras querem ignorar os PCs, é uma escolha delas. Mas vão lançar versões de seus jogos para PC, precisam ser responsáveis e garantir que funcionem direito.

Activision não fez o seu melhor trabalho em Prototype. Melhor esperar que este jogo não seja uma prévia da temporada de fim de ano.

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