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Políticas públicas focalizadas fizeram com que Alagoas subisse 14 posições no ranking nacional de competitividade em apenas seis anos.
Políticas públicas focalizadas fizeram com que Alagoas subisse 14 posições no ranking nacional de competitividade em apenas seis anos.| Foto: Carla Cleto/Agência Alagoas

As unidades da federação do Centro-Sul são as que mais conseguem priorizar políticas públicas voltadas para o bem-estar da sociedade, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados, um estudo que o Centro de Liderança Pública (CLP) divulgou na manhã desta quinta-feira (30). São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal são as três mais bem colocadas no levantamento.

Segundo Lucas Cepeda, analista do CLP, as unidades mais bem posicionadas têm em comum o fato de que conseguem crescer ao dar prioridade a pautas específicas. Mas também são beneficiadas por questões históricas, como, por exemplo, ter uma infraestrutura melhor.

As três unidades da federação que ocupam o pódio geral ocupam, em geral, as melhores posições nos rankings setoriais elaborados pelo CLP. São Paulo é o estado mais bem qualificado nos pilares de educação e infraestrutura; Santa Catarina é líder em segurança pública e sustentabilidade social; e o Distrito Federal tem a melhor posição em capital humano.

A concentração de primeiras posições no Centro-Sul cria um forte contraste com o Norte, onde estão as piores posições. Os quatro últimos do ranking geral de competitividade estão na região: Roraima, Acre, Pará e Amapá.

Os desafios são grandes. Segundo Cepeda, para avançar nos próximos anos, serem protagonistas e terem um papel mais relevante, as unidades da federação precisam melhorar suas condições fiscais. Um dos caminhos para isso, avalia, é investir na reforma administrativa para poder entregar políticas públicas de qualidade à sociedade.

Outro ponto de atenção são os critérios ESG (ambientais, sociais e governamentais, na sigla em inglês). Cepeda alerta que que eles estão se tornando a base do novo protecionismo global.

“Para não ser excluído dos fluxos de investimento internacional, será preciso dar mais atenção a isso. Se o lugar não atender a esses critérios, dificilmente receberá investimentos”, diz. E quem larga na frente desse ranking é São Paulo, seguido pelo Distrito Federal e Santa Catarina.

Confira a seguir quais os estados mais e menos competitivos do país e as mudanças de posição nos últimos seis anos, segundo o ranking de competitividade elaborado pelo CLP. Para destacar a evolução de um estado, clique sobre a linha dele (se estiver usando o celular) ou passe o cursor do mouse sobre ela (no computador). A reportagem continua logo abaixo:

Os desafios regionais

Apesar de os estados da região terem conseguido evoluir com o crescimento do PIB nos últimos anos, um desafio latente no Nordeste é a segurança pública. Os três maiores estados da região – Bahia, Pernambuco e Ceará – enfrentam desafios na área. Nesse critério, eles só estão melhores que Roraima e Rio de Janeiro no ranking da CLP.

O grande desafio do Norte, de acordo com Cepeda, está relacionado à infraestrutura. “Ela tem tido avanços, mas é preciso evoluir mais para que a população não fique excluída.” Três estados da região aparecem nas últimas posições do ranking desse pilar: Pará, Acre e Amazonas. Um dos fatores que pesa é a questão geográfica.

Apesar de ser o destaque em termos de competitividade, avanços também são necessários no Sul e no Sudeste. Uma das questões cruciais e relacionadas ao futuro das políticas públicas é a solidez fiscal.

Se, por um lado, essas regiões têm o líder nacional nesse critério, o Espírito Santo, também tem três dos quatro piores: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Mesmo São Paulo, que é o campeão da competitividade entre os estados, não está em uma boa posição em termos de solidez fiscal: nesse pilar específico, é só a 18.ª entre as 27 unidades da federação.

A região Centro-Oeste vem se consolidando entre as dez unidades da federação mais competitivas. Segundo Cepeda, considerando-se todos os 86 pilares e subpilares do estudo do CLP, os estados da região ocupam a primeira posição em 19 deles.

O destaque do Centro-Oeste, conforme o analista, está na questão ambiental: Goiás está entre os estados que menos registram perda de água e Mato Grosso tem nota máxima na transparência de ações de combate ao desmatamento.

Rio de Janeiro perde competitividade por causa da questão fiscal

Dos estados do Centro-Sul, apenas o Rio de Janeiro não está entre os dez primeiros colocados no ranking geral da competitividade. Os fluminenses perderam nove posições desde 2015, quando eram o oitavo estado mais competitivo.

Esse desempenho fraco pode ser atribuído à questão fiscal, diz Cepeda. A unidade da federação é a última colocada nesse critério, que tem Espírito Santo, Mato Grosso e Pará nas três primeiras posições do levantamento.

O analista do CLP aponta que a solidez fiscal é fundamental na execução de políticas públicas. “Mesmo com mais royalties do petróleo, a arrecadação não é suficiente para atender às demandas da sociedade”, diz. O principal problema está na segurança pública. Nesse pilar, o estado tem a segunda pior colocação no ranking, à frente apenas de Roraima.

Foco ajuda Alagoas a melhorar posição no ranking

Mas, mesmo não estando no top 10, um dos estados que mais tem se destacado no ranking nos últimos anos é Alagoas. Estava na última posição em 2015 e, seis anos depois, é o 13.º estado mais competitivo do país.

A melhoria no ranking é creditada por Cepeda ao estabelecimento de políticas setoriais focalizadas. Ele conta que em um primeiro momento o estado atacou o problema da mortalidade materna, depois aspectos relacionados ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e, finalmente, ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Isso se refletiu em fortes melhorias no capital humano, pilar no qual o estado passou de terceiro pior do país em 2015 a quinto melhor em 2021.

Outras áreas em que o estado nordestino apresentou melhor desempenho foi na educação (passando de 27.°, em 2015, para 17.°, em 2021), infraestrutura (de 21.° para décimo) e solidez fiscal (de 24.° para quinto).

Confira a seguir os estados que mais se destacam nos dez principais pilares de competitividade do ranking do CLP e nos pilares de objetivos do desenvolvimento sustentável e ESG:

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
1.º Paraná
2.º São Paulo
3.º Distrito Federal

CAPITAL HUMANO
1.º Distrito Federal
2.º Rio de Janeiro
3.º Amazonas

EDUCAÇÃO
1.º São Paulo
2.º Santa Catarina
3.º Minas Gerais

EFICIÊNCIA DA MÁQUINA PÚBLICA
1.º Espírito Santo
2.º Santa Catarina
3.º São Paulo

INFRAESTRUTURA
1.º São Paulo
2.º Distrito Federal
3.º Santa Catarina

INOVAÇÃO
1.º Rio Grande do Sul
2.º São Paulo
3.º Santa Catarina

POTENCIAL DE MERCADO
1.º Amazonas
2.º Roraima
3.º Mato Grosso

SOLIDEZ FISCAL
1.º Espirito Santo
2.º Mato Grosso
3.º Pará

SEGURANÇA PÚBLICA
1.º Santa Catarina
2.º São Paulo
3.º Distrito Federal

SUSTENTABILIDADE SOCIAL
1.º Santa Catarina
2.º Distrito Federal
3.º São Paulo

OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
1.º São Paulo
2.º Santa Catarina
3.º Paraná

ESG
1.º São Paulo
2.º Distrito Federal
3.º Santa Catarina

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