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Questionário aplicado por bancos e corretoras faz análise criteriosa do perfil do investidor | USP Imagens/Fotos Públicas
Questionário aplicado por bancos e corretoras faz análise criteriosa do perfil do investidor| Foto: USP Imagens/Fotos Públicas

Agente financeiro

Teste prévio é prática consagrada entre bancos e corretoras

Os testes para definir o perfil do investidor – chamados de Adequação de Perfil do Investidor (API), ou Suitability – não são exigidos por lei, mas constituem uma prática consagrada no ramo financeiro. A autorregulação tem como balizadora a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que reúne os principais bancos e corretoras de valores do país, e exige, em seu Código de Varejo, a análise das características do cliente, antes da oferta de produtos.

A determinação passou a ser aplicada, inicialmente, por bancos que atendem clientes de alta renda, chamados de private banking. Em 2013, foi estendida a todas as entidades associadas à Anbima, o que inclui os bancos do varejo. O Código estabelece diretrizes e permite que cada associado monte o próprio API. "É um instrumento que ajuda na reflexão do investidor, já que muitos param para pensar nos riscos justamente no momento do preenchimento do questionário", diz Ana Claudia Leoni, superintendente da área de Educação de Investidores da Anbima.

A BMF&BOVESPA tem uma política de certificação de corretoras de valores que estimula a realização da API. Chamada de Programa de Qualificação Operacional (PQO), a iniciativa concede um selo às entidades que atendem uma série de requisitos, entre eles a definição do perfil dos clientes.

O teste deve apurar a situação financeira, o nível de experiência e a tolerância ao risco do investidor. Precisa, ainda, ser atualizado com regularidade e servir como referência para as recomendações de investimentos. O cliente, por sua vez, tem de ser informado a respeito de risco, duração recomendada e tarifação incidente sobre o negócio.

Pode parecer conselho de autoajuda, mas conhecer a si mesmo é o primeiro passo para se ter sucesso no mundo dos investimentos. Seja na compra de títulos ou em aplicações na Bolsa, a percepção sobre a própria realidade financeira é apontada como medida primordial para que o negócio não termine em prejuízo ou decepção.

INFOGRÁFICO: Conheça três perfis diferentes de investidores

Quem aplica por intermédio de bancos ou corretoras de valores irá responder a um questionário próprio para esse fim, chamado Adequação de Perfil do Investidor (API), que relaciona as peculiaridades do cliente à cesta de produtos da empresa. "O instrumento é um direcionador, mas o investidor não pode se furtar à responsabilidade da decisão, que é sempre dele", esclarece Ana Claudia Leoni, superintendente da área de Educação de Investidores da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Faça o teste e descubra qual é seu perfil de investidor

O mercado trabalha com três perfis principais: conservador, moderado e agressivo, que apresentam níveis crescentes de aceitação de riscos em busca de ganhos maiores. Assim, investimentos mais seguros e com baixo retorno, como a caderneta de poupança, cedem espaço a aplicações arriscadas e potencialmente mais rentáveis, como a Bolsa, conforme aumenta a tolerância às ameaças de perdas.

Caso opte por uma operação autônoma, o investidor pode fazer a análise de mercado por si mesmo. Precisam ser levados em conta, segundo profissionais da área, fatores como nível de experiência, tolerância ao risco da operação e objetivos do negócio. Também é importante conhecer bem a aplicação escolhida, que pode estar sujeita a carências para resgate, custos administrativos ou tributação.

Baixo risco

O brasileiro médio tem perfil conservador e mostra preferência pela tradicional poupança, afirma Alexandre Assaf Neto, consultor financeiro e coautor do livro Investimento em ações: guia teórico e prático para investidores. Segundo ele, o baixo nível de informação sobre outras formas de aplicação torna a caderneta hegemônica. "O brasileiro não teve educação financeira e não tem dinheiro para investir em uma boa formação nessa área."

Especialistas, porém, dizem que está em curso um processo de amadurecimento do investidor, com crescente busca de alternativas à poupança. "Quem investe está cada vez mais atento às opções do mercado. Isso acontece principalmente com o investidor jovem, que se informa bastante pela internet", diz o planejador financeiro e analista gráfico da corretora Alpes/WinTrade, Filipe Villegas.

Reflexo dessa mudança é o fato de que, no ano passado, a captação da caderneta de poupança caiu 66%, ao passo que o investimento em títulos do Tesouro Direto cresceu 35%. Já o mercado de ações, segundo Villegas, continua fora do horizonte da maior parte dos investidores.

TESTE: Descubra seu perfil de investidor. O questionário acima foi elaborado pelo banco Bradesco e compartilhado com a Gazeta do Povo.

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