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Para entender

Quem é o responsável pela alta taxa de juros no Brasil?

Ministro da Fazenda Dario Durigan negou que a política fiscal do governo Lula seja a principal responsável pela Selic alta. (Foto: Washington Costa/MF)

Neste 4 de julho de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que a política fiscal do governo seja a causa central da Selic alta. Ele defendeu um ajuste gradual e o aumento da tributação sobre os mais ricos como caminhos para estabilizar as contas públicas e a economia.

Qual é a posição do Ministério da Fazenda sobre os juros altos?

O ministro Dario Durigan afirma que o Ministério da Fazenda é o "menos culpado" pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Segundo ele, o debate não pode ser focado apenas na situação das contas do governo, embora admita que a questão fiscal seja importante. Ele defende que buscar culpados no governo é uma "resposta fácil" para um problema econômico mais complexo.

Como o governo planeja equilibrar as contas públicas nos próximos anos?

A estratégia combina o corte de despesas com a redução de benefícios fiscais dados a empresas. O governo estabeleceu metas de superávit primário — que é quando o governo arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. O plano prevê sair de um déficit atual para um saldo positivo de 0,5% do PIB em 2027, chegando a 1,5% em 2030, tentando assim controlar o crescimento da dívida pública.

Quais mudanças na cobrança de impostos estão sendo propostas?

O governo defende tributar menos o consumo e mais a renda e o patrimônio. Uma das propostas centrais é voltar a cobrar impostos sobre lucros e dividendos, algo que não ocorre no Brasil há cerca de 30 anos. Essa medida visa aproximar o país do padrão internacional e aumentar a arrecadação focando em quem tem maior capacidade econômica, como os mais ricos.

O que são gastos tributários e por que o governo quer cortá-los?

Gastos tributários são isenções ou descontos de impostos que o governo concede a setores específicos para incentivar a economia. Atualmente, eles somam mais de R$ 600 bilhões por ano. O governo considera esse valor excessivo e planeja revisar e reduzir esses benefícios em pelo menos 10%, corrigindo o que chama de distorções no sistema de impostos brasileiro.

Por que especialistas e o Banco Central discordam do ministro?

Enquanto o ministro minimiza a culpa do governo, o Banco Central e economistas alertam que o déficit constante nas contas públicas aumenta o risco para investidores e pressiona a inflação. Com o governo gastando mais do que arrecada e a dívida pública encostando em 80% do PIB, a autoridade monetária se vê obrigada a manter os juros altos para evitar que a economia saia de controle e os preços subam ainda mais.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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