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Após atrito com Michelle

Quem são as sete mulheres cotadas para ser vice de Flávio Bolsonaro

vice de Flávio Bolsonaro
Campanha de Flávio testa nomes para vice após desgaste com Michelle. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senad)

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A lista de mulheres cotadas para ocupar a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) tem crescido à medida que a pré-campanha amplia as negociações com partidos aliados. A estratégia é testar diferentes perfis capazes de reduzir a desvantagem do senador entre o eleitorado feminino.

A conquista das eleitoras -um dos principais desafios da campanha desde o início da corrida ao Planalto - ganhou ainda mais relevância após o desgaste público na relação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

As pesquisas confirmam o diagnóstico. Levantamento PoderData/Aya divulgado em junho mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50% das intenções de voto entre as mulheres, contra 38% de Flávio.

Na Genial/Quaest, a diferença é de 41% a 24%, enquanto 13% das entrevistadas ainda se declaram indecisas. Conforme mostrou a Gazeta do Povo, a avaliação da campanha é que esse grupo representa uma das principais oportunidades de crescimento da candidatura.

Nesse cenário, passaram a ser cogitados nomes com perfis distintos, que combinam atributos políticos, técnicos e eleitorais. A lista reúne desde parlamentares do PL e do Progressistas, nomes ligados ao govrno Jair Bolsonaro(PL), além de representantes do agronegócio, do eleitorado católico e do segmento evangélico.

Os nomes na mesa

1. Daniella Marques (Republicanos)
Passou a integrar formalmente a pré-campanha como responsável pela elaboração do programa econômico de Flávio, mas permanece cotada para a vice. O próprio senador afirmou que ela era "a melhor pessoa do time de Paulo Guedes" e que ajudou a construir boa parte da agenda econômica do governo Bolsonaro. Também passou a ser mencionada nos bastidores como eventual ministra da Economia em um governo Flávio.
Quem é: administradora, ex-secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Trabalhou diretamente com Paulo Guedes e hoje coordena a elaboração das propostas econômicas da pré-campanha. Seu nome reúne três atributos valorizados pelo PL: já integra o núcleo da campanha, amplia o diálogo com o Republicanos e reforça a mensagem de continuidade da agenda liberal. Em contrapartida, nunca disputou eleição e não possui capital eleitoral próprio.

2. Tereza Cristina (PP-MS)
É o nome politicamente mais forte da lista e o "sonho de consumo" de muitos aliados. Mas seu projeto prioritário é disputar a presidência do Senado em 2027, o que torna sua eventual indicação mais difícil. Além disso, é uma das principais lideranças nacionais do Progressistas, fator que exigiria uma negociação política mais ampla entre os partidos.
Quem é: senadora por Mato Grosso do Sul, engenheira agrônoma e empresária rural. Foi ministra da Agricultura durante todo o governo Bolsonaro e atualmente lidera a bancada do Progressistas no Senado. Sua eventual escolha aproximaria a campanha do agronegócio, fortaleceria a interlocução com o Centrão e consolidaria uma aliança com o PP, além de agregar um perfil moderado, capaz de dialogar para além da base da direita. Por outro lado, seu projeto político e a resistência do PP em abrir mão de uma de suas principais lideranças reduzem as chances de sua indicação.

3. Simone Marquetto (PP-SP)
Passou a ganhar espaço entre as cotadas por reunir um perfil menos ideológico e facilitar uma eventual composição com o Progressistas.
Quem é: deputada federal por São Paulo, jornalista e ex-prefeita de Itapetininga. Conforme mostrou a Gazeta do Povo, sua principal credencial é a ligação com a Renovação Carismática Católica, característica destacada inclusive pelo coordenador da campanha, Rogério Marinho. Sua indicação ajudaria a aproximar Flávio do eleitorado católico praticante e fortaleceria uma aliança com o PP. Em contrapartida, ainda possui baixa projeção nacional e pouco capital eleitoral fora do interior paulista.

4. Bia Kicis (PL-DF)
É uma alternativa forte caso Flávio opte por uma chapa integralmente identificada com o bolsonarismo.
Quem é: deputada federal, advogada e ex-procuradora do Distrito Federal. Presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara durante o governo Bolsonaro e atualmente é pré-candidata ao Senado. Flávio já a citou publicamente como possível vice, e ela respondeu que aceitaria a missão. Tem excelente relação com Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, além de grande influência entre os apoiadores mais fiéis do ex-presidente. Sua escolha reforçaria a identificação da chapa com a base bolsonarista, mas agregaria pouco em termos de alianças partidárias ou ampliação do diálogo com eleitores moderados. Além disso, sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal continua sendo o caminho considerado mais provável.

5. Priscila Costa (PL-CE)
Passou a aparecer entre os nomes ventilados nas últimas semanas, período marcado pelo desgaste na relação entre Michelle Bolsonaro e Flávio.
Quem é: vereadora de Fortaleza, professora e uma das principais lideranças conservadoras do Ceará. Tornou-se conhecida nacionalmente pela defesa de pautas pró-vida, da família e pela forte atuação junto ao eleitorado evangélico. Sua indicação ampliaria a presença da campanha no Nordeste e reforçaria o diálogo com um segmento considerado estratégico pelo PL. Em contrapartida, nunca disputou cargo estadual ou nacional e ainda possui baixa projeção política fora do Ceará.

6. Júlia Zanatta (PL-SC)
Representa a ala mais ideológica do bolsonarismo e um dos principais nomes da nova geração da direita.
Quem é: deputada federal, advogada e jornalista. Tornou-se conhecida pela defesa da liberdade de expressão, do direito ao porte de armas e pelas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de manter forte presença nas redes sociais e proximidade com Carlos Bolsonaro. Foi a primeira cotada a afirmar publicamente que aceitaria disputar a vice-presidência. Sua eventual escolha fortaleceria a mobilização da militância conservadora, mas, na avaliação de aliados ouvidos pela Gazeta do Povo, teria alcance limitado para ampliar o eleitorado além da base já consolidada do bolsonarismo.

7. Clarissa Tércio (PP-PE)
Foi um dos nomes citados mais recentemente por Flávio Bolsonaro.
Quem é: deputada federal por Pernambuco, missionária e uma das principais lideranças da Assembleia de Deus no estado. Tem forte influência sobre o eleitorado evangélico nordestino e sua indicação reforçaria a aproximação da campanha tanto com esse segmento quanto com o Progressistas. Até o momento, porém, é o nome menos testado nacionalmente entre as cotadas e aparece mais como uma alternativa de nicho do que como uma das favoritas.

Metodologia das pesquisas

A pesquisa PoderData/Aya foi realizada entre 21 e 24 de junho, com 2.400 entrevistas em 617 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05722/2026. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações para celulares e telefones fixos, por meio de sistema de resposta audível (URA).

A Genial/Quaest fez 2.004 entrevistas domiciliares com brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07661/2026.

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