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O Instituto Fiscal Independente (IFI), vinculado ao Senado Federal, dedicou quase metade do relatório de acompanhamento fiscal divulgado nesta quinta-feira (23) à análise das estatais federais, alertando para o risco de a crise enfrentada por elas impactar no Tesouro Nacional, sobretudo considerando as mais dependentes de aportes da União.
"Os indicadores financeiros analisados neste texto confirmam uma deterioração perceptível da saúde financeira de parte relevante das empresas estatais federais, tanto dependentes quanto não dependentes, o que eleva o risco fiscal para o Tesouro Nacional, em um contexto de forte restrição orçamentária imposta pelo regime fiscal sustentável", diz o documento.
Principal representante da atual etapa da crise nas estatais, os Correios enfrentaram, em 2025, um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, que se soma a um ciclo de perdas de quatro anos consecutivos. Para o instituto, o problema é oriundo de uma combinação de fatores que inclui o aumento nos custos de operação, a queda na receita e despesas com a previdência.
O relatório destaca o aumento de 119% nas despesas com precatórios de 2024 a 2025, gerado por uma sequência de derrotas da estatal na Justiça do Trabalho e pela atualização monetária dos valores já sentenciados.
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Para entender melhor o panorama das empresas públicas, o IFI somou as fontes de recursos do Tesouro Nacional apuradas em 2025 com os chamados restos a pagar pagos, despesas assumidas em um ano e quitadas em outro. Com isso, obteve-se o grau de dependência do Tesouro Nacional das chamadas estatais dependentes, que recebem do governo para arcar com seus custos:
- Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM): 99,6%;
- Amazul: 99,5%;
- Grupo Hospitalar Conceição: 99,3%;
- Empresa de Pesquisa Energética (EPE): 99%;
- Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf): 98,7%
- Embrapa: 98,4%;
- Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares: 97,6%;
- Infra S.A.: 96,8%;
- Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec): 96,7%;
- Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): 95,1%;
- Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU): 94,6%;
- Hospital de Clínicas de Porto Alegre: 93,9%;
- Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep): 88,3%;
- Empresa Brasileira de Comunicação (EBC): 87,4%;
- Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb): 77%;
- Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel): 71,5%;
- Telebrás: 44%;
Os dados ainda detalham o quanto cada funcionário custa à estatal por mês:
- Embrapa: R$ 41.771,60;
- Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep): R$ 37.583,80
- Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec): R$ 32.499,10;
- Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU): R$ 29.041,10;
- Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM): R$ 28.915,90;
- Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf): R$ 28.307,30;
- Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): R$ 26.582,90;
- Empresa de Pesquisa Energética (EPE): R$ 25.215,90;
- Infra S.A.: R$ 22.228,20;
- Empresa Brasileira de Comunicação (EBC): R$ 20.085,00;
- Hospital de Clínicas de Porto Alegre: R$ 18.347,90;
- Amazul: R$ 18.320,30;
- Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb): R$ 17.093,70;
- Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares: R$ 13.029,00;
- Grupo Hospitalar Conceição: R$ 11.808,40;
- Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel): R$ 6.978,70;




