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Remessas internacionais com tecnologia blockchain tornam processo mais rápido e barato

Transferir dinheiro para fora do país sem sair de casa já é uma facilidade. Agora, pode se tornar ainda mais rápido e seguro

  • Flávia Silveira, especial para a Gazeta do Povo
Startup faz transferências de até US$ 3 mil sem taxas | Fernanda Carvalho/Fotos Públicas
Startup faz transferências de até US$ 3 mil sem taxas Fernanda Carvalho/Fotos Públicas
 
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A transferência de valores para outros países mais prática, ágil e barata. Ainda que muito concentrado nos grandes bancos, o mercado de câmbio ganha novas opções para o serviço graças à tecnologia. As empresas Remessa Online e Frente Corretora de Câmbio são exemplos disso.

Sem cobrar tarifas para transferências de até US$ 3 mil, a Frente começa a atuar com o serviço de remessas internacionais nas próximas semanas, em um processo que pode ser feito todo virtualmente. Nos grandes bancos, o contrato de câmbio necessário para este tipo de serviço pode chegar a custar R$ 300.

O que a Frente cobra é o spread na cotação da moeda – o que também fazem os bancos – e uma taxa de 1% por operação. Nos bancos, esta taxa varia de 3% a 4%. “Para concorrer com os grandes, temos como foco a tecnologia e a ampliação de nossa rede de parceiros”, explica Carlos Brown, um dos fundadores.

A Frente Corretora foi criada como uma correspondente cambial, por dois ex-XP Investimentos, Carlos Brown e Ricardo Baraçal, junto a Daniela Marchiori, ex-agente autônoma também ligada à plataforma. A empresa começou a se conectar com instituições financeiras para compra e venda de moedas, com o intuito de perceber quais eram os gaps do mercado de câmbio, em meados 2016, e, então, desenvolver um modelo próprio de operação, tornando-se de fato uma corretora de câmbio no início de 2017.

+LEIA TAMBÉM: O futuro da tecnologia está nas mãos dos bancões?

Como a XP, a Frente Corretora trabalha com uma rede de correspondentes. “Montamos uma estrutura que permite que o correspondente possa crescer utilizando nossa estrutura. Atendemos o B2B para, automaticamente, chegarmos ao B2C˜, explica Carlos Brown. Ou seja, os correspondentes utilizam a plataforma desenvolvida pela Frente Corretora para atenderem seus clientes. A plataforma “white label” é totalmente personalizável para o layout de cada correspondente de sua rede. Com isso, segundo Brown, a corretora permite que escritórios e profissionais autônomos se transformem em agentes de câmbio online.

Disponível online

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Carlos Brown, ex-XP, fundador da Frente CorretoraDIvulgação

Por enquanto, o serviço de remessa internacional está disponível apenas de forma direta, no site da Frente Corretora, mas, em breve, os correspondentes também já devem começar a realizá-lo. E com uma grande novidade: o uso da tecnologia “blockchain”, que funciona como um livro de registros de dados e informações que podem ser trocados de forma descentralizada.

A corretora espera, com isso, ganhar mais velocidade nas transações. “Uma operação que demora quatro dias pode passar a levar apenas alguns minutos. Além do tempo, reduzimos custos e a logística se torna muito mais simples”, conta Brown. A corretora está aguardando apenas a liberação das licenças necessárias para que isso comece a valer, o que esperam que aconteça até março. Até lá, as operações seguem feitas pelo sistema SWIFT (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais, na sigla em inglês).

+LEIA TAMBÉM: Fintech recupera R$ 32 milhões para os bancos, respeitando a privacidade dos devedores”

Atualmente, a Frente opera com 100 parceiros correspondentes, mas espera chegar a 400 ainda no primeiro semestre deste ano. Com 30 mil clientes, a corretora transacionou R$ 300 milhões em 2018.

Segurança blockchain abre portas para remessa

A Remessa Online – braço da fintech BeeTech – está alguns passos adiante no uso da tecnologia, desde que firmou uma parceria com a plataforma americana Ripple, uma solução com a segurança blockchain para pagamento globais, com propostas de aumentar a velocidade e reduzir custos de transação.

A Ripple funciona, portanto, como um sistema de pagamentos com código aberto, projetado para conectar diferentes sistemas de pagamento em conjunto, com capacidade de mil transações por segundo. A empresa também é responsável pela criptomoeda XRP, a terceira maior do mercado.

Fernando Pavani, CEO da Remessa Online, conta que foi em 2017 que percebeu a necessidade de se aproximarem deste tipo de tecnologia, e encontraram na Ripple a melhor opção por terem, em seus princípios, a realização de microtransações de qualquer montante, em todo mundo, de forma transparente e seguindo todas as exigências de cada local.

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O órgão regulador de cada país possui uma série de demandas e exigências para que este tipo de plataforma funcione. “Estudamos, juntos, como atender estes requisitos. Eles estavam dispostos a mudar o sistema e adaptá-lo à realidade brasileira, que é bastante diferente da do resto do mundo”, diz.

O “namoro” durou cerca de um ano e meio, até que o sistema adaptado fosse aprovado junto ao Banco Central. Já está em funcionamento a troca de mensagens, conhecido como sistema de mensageria, que envia, para o cliente final, informações sobre a operação, tornando o rastreamento dos valores transferidos mais ágil e a transação mais segura.

Sem triangulação

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Fernando Pavani, CEO da Remessa OnlineDivulgação

A maior agilidade é possível porque o caminho até o cliente final se torna mais curto. Ao realizar uma remessa para o exterior pelo SWIFT, arquitetado em cima de uma estrutura financeira com múltiplos bancos correspondentes, o dinheiro vai para um banco internacional, em seguida é transferido para um banco local, depois a um correspondente local e só então à conta destino final.

Já com a Ripple, a arquitetura muda e o acesso ao mercado local de liquidez é direto, ou seja, o cliente faz a transferência de sua conta em um banco brasileiro para a Remessa Online, que repassa para um parceiro no país destino e este fica responsável pelo envio ao destino final. “Há uma mudança de relacionamento comercial entre os provedores e as instituições financeiras. A rastreabilidade dá uma guinada em como o mercado financeiro trata seus clientes finais”, considera Pavani.

Para um futuro próximo – a expectativa é que aconteça ainda neste ano –, a Remessa Online deve começar a realizar operações utilizando a criptomoeda XRP, o que possibilitaria o envio de qualquer montante para qualquer lugar do mundo, em menos de três segundos. “O Banco Central deve entender que isso é uma possibilidade e que os processos são seguros, evoluindo para a liberação destes ativos de forma regulada”, espera o CEO.

A Remessa Online cobra tarifa de R$ 5,90 por transação, mais um custo fixo de 1,3%. Para envios acima de U$ 1.500 dólares, a tarifa não é cobrada. A fintech possui 120 mil clientes cadastrados, dentre eles 3 mil empresas de médio porte. Desde sua fundação, em 2016, a Remessa Online já movimentos mais de R$ 5 bilhões.

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