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Agronegócio

Se chuva ajudar, safra será 2.ª maior

Previsões apontam que a colheita deste ano ficará próxima do recorde histórico, mas ministro diz que excesso de chuvas pode atrapalhar

Colheita de soja em Goiás: ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, manifestou preocupação com o escoamento e a armazenagem da safra nos estados do Centro-Oeste | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Colheita de soja em Goiás: ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, manifestou preocupação com o escoamento e a armazenagem da safra nos estados do Centro-Oeste (Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)

As previsões lançadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), autarquia ligada ao Ministério da Agricultura, indicam que a safra nacional de grãos de 2010 será a segunda maior da história. Ainda assim o ministro Reinhold Stephanes não foi muito otimista na leitura dos dados. Para ele, o excesso de chuva das últimas semanas ainda não foi contabilizado nas estimativas, o que pode trazer surpresas negativas nos próximos levantamentos.Para o IBGE, devem ser produzidas 143,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas nesta temporada. O número da Conab é muito parecido: 143,09 milhões de toneladas, cerca de 6% acima do resultado do ano passado. Em 2008, melhor ano para a agricultura do país, 146 milhões de toneladas foram colhidas. "Embora a previsão seja melhor do que a anterior, é preciso ter cautela", disse Stephanes. De acordo com o ministro, a projeção da Conab melhorou porque as chuvas continuaram a incidir sobre as áreas plantadas. Ele salientou, porém, que não é possível garantir que todo o efeito das precipitações já tenha sido detectado. "Não temos o resultado dos últimos dez dias de chuva e não podemos prever os próximos 30 dias", ponderou.

R$ 1 bilhão

Stephanes também estimou que as perdas dos produtores de trigo e de arroz com as chuvas na Região Sul somam uma quantia próxima a R$ 1 bilhão. "Vamos perder um milhão de toneladas de arroz", calculou. No caso do trigo, a perspectiva traçada por Stephanes também é prejuízo de porte semelhante, o que significaria perdas da ordem de R$ 500 milhões para o produtor rural. "Perdeu-se metade do trigo em termos de qualidade." No Paraná, as estimativas oficiais já detectaram fortes perdas nas lavouras de feijão. Por causa das chuvas, a colheita do produto foi revista em -8,9% em relação ao prognóstico lançado em dezembro. Stephanes também admitiu preocupação com o escoamento dos produtos agrícolas, principalmente os que saem das fazendas da Região Centro-Oeste. "Precisamos de mais clareza no plano estratégico de médio e longo prazos não só para o escoamento da produção mas também dos insumos básicos para a produção", considerou.

De qualquer maneira, as estatísticas do IBGE e da Conab reforçaram a percepção de que o campo se recupera após as quebras de safra registradas entre 2008 e 2009. A área cultivada neste ano, por exemplo, já é a maior da série histórica: 48,1 milhões de hectares. Como muitos produtores optaram pelo cultivo de soja, no entanto, o rendimento médio de cada hectare é menor do que em anos anteriores – a produtividade da soja é de cerca de 3 mil quilos por hectare; a do milho, um dos principais produtos que cedeu área à soja, é de 6 mil quilos por hectare.

Além disso, a Conab estimou que a produção de soja na atual safra será de 66,73 milhões de toneladas. Se for confirmada, ela superará em 16,7%, ou em 9,57 milhões de toneladas, o volume de 57,17 milhões de toneladas colhido no ciclo anterior. "Com tal resultado, será o maior volume da oleaginosa produzido no país", destacaram os técnicos da estatal. Segundo o IBGE, a preferência pela soja se explica devido às maiores cotações e liquidez do produto no mercado internacional.

Paraná líder

As duas pesquisas também confirmam uma informação que já vinha sendo divulgada no fim do ano passado: o Paraná irá recuperar em 2010 a posição de maior produtor brasileiro de grãos, ao colher mais de 29,3 milhões de toneladas. No ano passado, a liderança foi ocupada pelo Mato Grosso, que agora deve ter uma produção de 28,3 milhões de toneladas de grãos.

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