Sem chegar a um acordo na mesa de negociações, os bancários decidiram ontem manter a greve por tempo indeterminado, que já dura quase duas semanas. Nesta segunda-feira, a greve paralisou 221 agências no interior e outras 156 na capital.
Em Curitiba, as agências fechadas representam cerca de 47% do total. A última proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na semana passada, fixou dois índices diferentes para reajuste. Para os trabalhadores que têm salários até R$ 1,5 mil, o reajuste seria de 9%. Para quem recebe acima deste valor, o índice ficaria em 7,5%. Os bancários reivindicam reajuste salarial de 13,23%.
Os efeitos da greve não causam prejuízos apenas para os donos de grandes bancos. Com o movimento entrando em sua segunda semana, muitos pequenos empresários e comerciantes enfrentam transtornos para resolver a rotina de seus negócios.
A empresária Cleni Costa Wal, dona de um restaurante próximo ao centro administrativo do banco HSBC, reclama que seu movimento caiu 85% com a greve dos bancários.
Segundo ela, todo o comércio da região sobrevive em função do movimento do banco e alguns estabelecimentos sequer estão abrindo para evitar prejuízos. "Estamos praticamente parados. Como sempre acontece neste país, as classes trabalhadoras resolvem reivindicar melhorias salariais, mas a sociedade é penalizada", afirma.
O empresário Adalberto Palte diz que não consegue depositar os cheques que recebe como pagamento pela prestação de serviços e se diz preocupado com a situação caso ela se prolongue. "Me sinto refém dessa greve. Não tenho conta em outro banco e, como sempre, os funcionários da Caixa aderem totalmente a greve em função da característica de seus contratos de trabalho", reclama.







