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EUA

Senado dos EUA aprova reforma de Wall Street

  • PorReuters
  • 21/05/2010 07:03

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de quinta-feira um amplo projeto de reforma de Wall Street, após meses de discussões sobre a maior mudança na regulação financeira desde os anos 1930.

Por 59 votos a 39, o Senado deu uma vitória ao presidente norte-americano, Barack Obama, campeão de regras mais rígidas para bancos e para o mercado de capital após a crise financeira de 2007-2009, que levou a uma profunda recessão.

A lei do Senado precisa agora ser combinada com a proposta aprovada em dezembro pela Câmara dos Deputados. Só então o pacote final pode ir à sanção de Obama, algo que analistas dizem que pode acontecer no mês que vem.

As mudanças propostas em ambas as leis -feitas por parlamentares ávidos por endurecer com Wall Street antes das eleições ao Congresso em novembro - ameaçam restringir a indústria bancária e reduzir seus lucros nos próximos anos.

Um provável ponto de conflito nas negociações entre o Senado e a Câmara deve ser a proposta de restringir as operações de swap dos bancos.

Obama disse que a versão final responsabilizará as empresas financeiras, mas não sufocará o livre mercado. "No ano passado, a indústria financeira tentou repetidamente interromper essa reforma com hordas de lobistas e milhões de dólares em propaganda, e, quando eles não puderam matá-la, tentaram amenizá-la... Hoje, acho que é justo dizer que esses esforços falharam", disse Obama.

"Nós ainda temos algum trabalho a fazer", acrescentou. "A Câmara e o Senado terão de resolver as diferenças entre os dois projetos de lei. E não há dúvida de que, durante esse tempo, a indústria financeira e seus lobistas continuarão lutando."

DOW JONES DESPENCA

Na quinta-feira, o índice acionário Dow Jones caiu 3,6 por cento, abatido por temores de que a crise de dívida da Europa retarde a recuperação econômica global, mas também por incertezas sobre a reforma financeira dos EUA, disseram operadores.

Barney Frank, líder de um importante comitê da Câmara, disse à rede de TV norte-americana CNBC que é importante completar a reforma com rapidez para reduzir as incertezas.

Frank, democrata autor da reforma de Wall Street na Câmara, estabeleceu limites antes das negociações com o Senado sobre o pacote final.

Em cartas a senadores democratas obtidas pela Reuters, Frank disse que certas propostas da Câmara sobre regulação de empresas financeiras e limites a operações precisam ser preservadas.

Ele disse que as propostas dos deputados são importantes para seu Estado de Massachusetts e que "nenhuma delas ameaça ou enfraquece os amplos objetivos da reforma abrangente", prometendo insistir que sejam mantidas na lei final.

As cartas foram endereçadas ao líder do Partido Democrata no Senado, Harry Reid, e ao presidente do Comitê Bancário da Casa, Christopher Dodd, democrata autor do projeto no Senado. Ambos devem ser importantes nas negociações, ao lado de Frank.

Na votação do Senado, quatro republicanos se alinharam aos democratas na aprovação: Susan Collins, Olympia Snowe, Charles Grassley e Scott Brown. Dois democratas votaram contra a lei: Maria Cantwell e Russ Feingold.

DODD VÊ VOTAÇÃO EM 4 DE JULHO

Dodd espera que o Senado seja capaz de votar o pacote final das duas Casas até 4 de julho.

Os republicanos se esforçaram para atrasar e amenizar a lei ao longo de meses de negociações a portas fechadas e debates abertos, argumentando que é uma intervenção do governo no setor privado.

Manobras de último minuto no Senado eliminaram duas emendas controversas: uma que reforçava as restrições propostas a operações bancárias arriscadas, e outra que isentava de regulação do consumidor vendedores de carros que não financiassem o próprio empréstimo a compradores de automóveis.

Os republicanos retiraram a emenda de concessionárias, criada pelo senador Sam Brownback, para que a emenda de operações de bancos, criada pelos democratas Jeff Merkley e Carl Levin, não fosse votada.

A emenda Merkley-Levin teria endurecido o projeto de lei do Senado na "lei Volcker", proposta em janeiro por Obama e pelo conselheiro econômico da Casa Branca, Paul Volcker.

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