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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) preste informações sobre mensagens que o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria enviado a um número de telefone supostamente ligado ao ministro Alexandre de Moraes. Nessas mensagens, Vorcaro pediria proteção do procurador-geral da República, Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Essa troca de mensagens teria ocorrido antes da primeira prisão de Vorcaro, possivelmente entre setembro e outubro de 2025. O banqueiro teria pedido ao interlocutor que reforçasse junto a “Andrei” e “Paulo”, nomes posteriormente associados pela PF a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, a importância de evitar que subordinados das duas instituições tomassem qualquer medida que, nas palavras atribuídas a Vorcaro, pudessem gerar problemas para ele, sob o argumento de que, caso isso ocorresse, “aí vai tudo pro saco”.
O pedido de Mendonça sobre a mensagem foi formalizado em ofício enviado à PGR nesta semana e tem como objetivo compreender o contexto em que as interlocuções foram realizadas, além de avaliar possíveis consequências práticas do episódio, caso ele tenha ocorrido.
Na prática, a suspeita dos investigadores é que Vorcaro pode ter pedido a Moraes que intervisse com Andrei e Gonet para sua proteção no contexto do que seriam as investigações do Caso Master. Segundo fontes a par das apurações, haveria nas conversas detalhes sobre a situação já crítica vivida pela instituição financeira que estava na iminência de ser liquidada pelo Banco Central.
Mendonça também quer esclarecimentos sobre o contexto do envio da mensagem e se haveria motivos para investigar um possível movimento de proteção ao banqueiro partindo de dentro da Corte e direcionado à PGR e à PF.
A informação, inicialmente revelada pelo portal Metrópoles, foi confirmada pela Gazeta do Povo. Fontes a par das investigações detalham que essa mensagem teria sido identificada no primeiro celular apreendido com Daniel Vorcaro, quando ele foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado.
Em um primeiro momento, os investigadores não tinham clareza sobre quem seria o destinatário, apesar de o conteúdo chamar muito a atenção. Após perícias, se identificou que o texto havia sido enviado pelo ex-banqueiro a um contato supostamente ligado a Moraes.
O conteúdo da mensagem e a ligação dos nomes
Na mensagem, Vorcaro, que segue preso no Complexo da Papuda desde março passado, mencionava a necessidade de obter a "proteção de Paulo e Andrei".
Assim que a corporação comunicou os fatos ao Supremo, o relator André Mendonça acionou a PGR para que se manifeste sobre o caso, o que é aguardado para esta ou a próxima semana, segundo fontes a par do caso. O ofício estabelece cinco dias para a PGR se manifestar. A Procuradoria ainda não se pronunciou à imprensa sobre o caso.
O episódio traz de volta à tona polêmicas anteriores envolvendo integrantes da Corte e o Banco Master que já vinham gerando desgaste. No fim do ano passado, O Globo, revelou a existência de uma minuta de contrato no valor de R$ 129 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro.
Somado a isso, mensagens vazadas de Vorcaro com sua então noiva indicavam que o ex-banqueiro teria se reunido e mantido conversas com o ministro Alexandre de Moraes, que sempre negou essa proximidade. O gabinete do ministro ainda não se pronunciou sobre a nova revelação. A Gazeta do Povo aguarda retorno.
Apesar do pedido de explicações designado à PGR, Mendonça não pediria nem indicaria neste momento uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Fontes ligadas às apurações não informaram se a mensagem teria recebido alguma resposta ou posicionamento. Agora os investigadores tentam esclarecer em que contexto o suposto pedido de proteção ao PGR e ao diretor-geral da PF teria sido solicitado por intermédio do magistrado.
Polêmica envolvendo STF volta à cena no caso Master
Ainda no fim do ano passado e início deste ano surgiram informações sobre uma relação comercial de uma empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli com o ex-banqueiro, envolvendo a venda de um resort de luxo no interior do Paraná. Toffoli, que era o relator original do caso do Banco Master, acabou abrindo mão da relatoria após pressão e desgaste gerados pela divulgação das informações. Um novo sorteio foi realizado, transferindo a relatoria do caso para as mãos de André Mendonça.
Os desdobramentos consolidaram um racha de bastidores no STF, com episódios de tensões entre diferentes blocos de ministros. No início do ano, diante da repercussão dos casos supostamente envolvendo magistrados e Vorcaro, uma parte do tribunal cobrava uma defesa pública e mais enfática do ministro Edson Fachin, presidente da Corte, em favor dos magistrados citados nas reportagens.
Fachin evitou seguir essa linha e preferiu levantar a bandeira da criação de um código de ética interno para o STF, chegando a designar a ministra Cármen Lúcia como relatora do projeto. Sem conseguir o apoio da maioria dos ministros para avançar com a proposta, o presidente redirecionou seus esforços para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também preside. Fachin abriu prazo de 60 dias para manifestações dos conselheiros e integrantes do Judiciário, tentando angariar maioria para aprovar o texto em meio ao clima de desconfiança institucional.






