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Crimes financeiros

Sob pressão, governo amplia estrutura do Coaf com aumento de cargos comissionados

Presidente do BC diz que Coaf opera sob forte pressão com crescimento das transações digitais, uso de criptoativos e da integração global dos fluxos financeiros (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

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Pressionado a apresentar respostas mais duras no enfrentamento ao crime organizado e aos crimes financeiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma reestruturação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A iniciativa surge após uma sequência de episódios em 2025 que expuseram fragilidades no sistema de prevenção à lavagem de dinheiro e colocaram o órgão no centro do debate sobre segurança financeira e institucional.

A proposta, em análise no governo, prevê a criação de mais de 60 cargos comissionados e a instalação de subunidades regionais de inteligência financeira. O plano foi formalizado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que encaminhou ao Ministério da Gestão um projeto de decreto presidencial.

O argumento central é que o Coaf passou a operar sob forte pressão diante do crescimento das transações digitais, do uso de criptoativos e da integração global dos fluxos financeiros, sem que sua estrutura tenha acompanhado essa evolução.

Desde 2019, quando passou a ser vinculado administrativamente ao Banco Central, o Coaf teve suas atribuições ampliadas e hoje recebe mais de 7,5 milhões de comunicações por ano. Segundo Galípolo, o quadro reduzido de servidores efetivos e a alta rotatividade de funcionários cedidos de outros órgãos comprometem a capacidade analítica do órgão e dificultam a formação de equipes técnicas especializadas, além de afetar a rapidez das respostas às autoridades.

Com a reestruturação, o número de cargos comissionados passaria dos atuais 75 para mais de 140, sendo parte destinada ao reforço da sede e outra à criação das unidades regionais.

Esses núcleos devem ampliar a presença do Coaf em áreas consideradas estratégicas no combate a crimes financeiros e transfronteiriços, facilitando o compartilhamento de informações com órgãos estaduais e federais e permitindo uma leitura mais precisa dos riscos regionais.

O movimento ocorre em paralelo ao endurecimento de regras pelo próprio Banco Central, após ataques cibernéticos e investigações que apontaram a infiltração de facções criminosas, como o PCC, em setores da economia formal. Também pesa no contexto o inquérito sigiloso aberto no STF para apurar possíveis vazamentos de dados sigilosos envolvendo autoridades a partir do Coaf e da Receita Federal.

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