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Filas no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro
Filas no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro| Foto: Fernando Frazão

Quem já passou pela experiência de assistir a esteira de restituição de bagagem girando continuamente sem devolver a mala despachada no embarque sabe o tamanho do transtorno que pode significar um imprevisto com a companhia aérea.

Cancelamentos não comunicados e longos atrasos também são situações que podem prejudicar o passageiro, por vezes sem uma reparação adequada. Como termômetro, são 112 mil os voos cancelados a cada ano no país conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com potencial para enroscar a vida de 12 milhões de consumidores.

Caracterizadas por um perfil "resolvedor de problemas", algumas startups já atuam no segmento: são lawtechs que se dispõem a dissolver as dores de cabeça iniciadas em voos nacionais ou internacionais. Com apenas dois anos de estrada, a cearense Resolvvi presta o serviço 100% online relacionada a 43 companhias aéreas com escritório no país.

Os clientes da startup são passageiros que tiveram problemas ao voar e que podem ter direito a indenizações em decorrência de cancelamentos e atrasos, conexão perdida por responsabilidade da companhia aérea, overbooking ou extravio de bagagem.

Desde o início de suas atividade, em agosto de 2017, a Resolvvi já recuperou R$ 4 milhões em indenizações para mil passageiros e até o final do ano o número deve subir R$ 5 milhões de acordo com Bruno Arruda, CEO da Resolvvi. O valor representa um crescimento de 5 vezes na comparação os resultados de 2018.

Como funciona

O propósito é bem claro, "ser um hub de soluções para problemas que as pessoas não têm paciência para resolver", resume o CEO. "O que a gente quer é tornar isso acessível, sem juridiquês, traduzindo o que acontece no processo para o cidadão comum", emenda.

Bruno Arruda, Patrícia Autran e Jesus Hernandez, sócios da Resolvvi.
Bruno Arruda, Patrícia Autran e Jesus Hernandez, sócios da Resolvvi.

Na prática, a startup recebe os pedidos e assume o trabalho burocrático pelo passageiro, sem quaisquer cobranças iniciais. Caso a indenização saia, a Resolvvi fica com 30% do valor como pagamento pela prestação do serviço (em comparação, normalmente os honorários advocatícios por êxito variam entre 20% e 30%). Por outro lado, se a ação não resultar em reparação, a startup "embolsa" o prejuízo e nada cobra do cliente.

Justamente por isso, o primeiro passo para reivindicar uma indenização com auxílio da Resolvvi é a análise do caso específico, para avaliar se de fato há direito a indenização. Esse filtro é feito por meio do site da própria startup. Quando se entende que cabe reparação, o reclamante envia documentos e dados necessários para que a empresa possa começar o trabalho.

A opção preferencial da Resolvvi é sempre uma tentativa de acordo preliminar junto à aérea - mais rápido e menos custoso. Se essa via não der bons resultados, parte-se para um pedido formal de indenização na Justiça. De acordo com a startup, 98% dos seus casos são bem sucedidos, ou seja, apenas 2% dos passageiros que já procuraram pelo serviço saíram de mãos abanando.

Expansão

No início de outubro, a Resolvvi recebeu aporte de R$ 2,2 milhões, investimento liderado pela DOMO Invest com a GVAngels e a Bossa Nova Investimentos. O foco, segundo Arruda, será acelerar o crescimento da empresa, com destaque para o desenvolvimento de tecnologia focando em escalabilidade e na experiência do cliente (com simplificação e redução da necessidade de interações).

"Vamos aumentar o time, especialmente engenheiros e em canais de aquisição de clientes", diz ele. Com 16 colaboradores atualmente, a projeção é por fechar 2020 em 50 pessoas nos quadros.

A diversificação de casos atendidos também está nos planos. A Resolvvi deve ampliar seu raio de atendimento de modo a alcançar de ponta a ponta o segmento de viagens e considera também expandir a prestação de serviços para outras áreas relacionadas ao direito do consumidor.

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