A instalação de uma montadora de automóveis no Uruguai, anunciada na semana passada, pode abrir um novo mercado para a fabricante de motores Tritec Motors, de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A fábrica que está sendo construída em Montevidéu será controlada pela montadora chinesa Chery – que desde 2003 é cliente da Tritec e agora procura fornecedores brasileiros para cumprir os requisitos do regime automotivo do Mercosul.

Em associação com o grupo Socma – que tem capital argentino e uruguaio e será dono de 49% da nova empresa –, os chineses criaram a Chery Mercosul. Os planos são de produzir, a partir de 2007, até 25 mil veículos por ano nos primeiros três anos de funcionamento. Depois disso, a produção chegaria a até 100 mil veículos anuais.

Instalando-se no Uruguai, a Chery – conhecida por montar carros muito semelhantes a modelos de marcas tradicionais, como a Chevrolet – terá condições de aderir ao regime automotivo do Mercosul. Com isso, poderá importar os veículos que produz na China e vendê-los nos países do bloco comercial sem pagar a taxa de importação convencional, que é de 35%. A contrapartida é cumprir a cota mínima de "nacionalização" das peças dos veículos feitos no Uruguai: no primeiro ano, pelo menos 40% dos componentes têm de ser fabricados no Mercosul. No segundo ano, esse índice sobe para 50% e, no terceiro, para 60%.

É aí que entra a Tritec, que há três anos fornece o motor de 1.6 litro usado no Chery A15, montado na China. "Além de ser um bom produto, o motor Tritec quebraria um bom galho para que a Chery cumprisse o índice de nacionalização", explica José Roberto Ferro, especialista no setor automotivo do Lean Institute Brasil, um centro de pesquisa em gestão.

No Uruguai, a Chery vai montar o utilitário esportivo "Tiggo" e o compacto popular "QQ". Cético em relação às intenções dos chineses, Ferro duvida que eles atinjam uma produção de 100 mil carros por ano. Para o especialista, a verdadeira intenção da Chery é produzir na América do Sul apenas para aproveitar as vantagens do regime automotivo.

Em entrevistas à imprensa, representantes da Chery afirmaram, sem citar nomes, que já estão em contato com fabricantes de autopeças e revendedores brasileiros. Procurada pela Gazeta do Povo, a Tritec informou que o assunto é reservado aos chineses e seus parceiros no país vizinho, mas não descartou a hipótese de vender à fábrica uruguaia. "Nosso relacionamento comercial com a Chery se mantém e estaremos sempre abertos a discutir oportunidades de novos negócios com esse cliente", informou a empresa.

A Tritec produz motores de 1.4 e 1.6 litro, todos para o mercado externo. Quarta maior exportadora do Paraná, a empresa vende para o México (onde a DaimlerChrysler, uma de suas controladoras, produz o PT Cruiser), para o Reino Unido (onde a BMW, a outra sócia, fabrica o Mini) e para três montadoras chinesas – Chery, Lifan e Hainan. De janeiro a setembro, a fabricante de motores exportou quase US$ 263 milhões, com crescimento de 23,7% em relação ao mesmo período de 2005.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]