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Mercado Financeiro

Turbulência abre os olhos dos eufóricos: bolsa é risco

Os tropeços recentes da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ajudam a abrir os olhos dos investidores para algo óbvio, mas que, em momentos de muitos números positivos, passa despercebido aos mais eufóricos: renda variável é uma aplicação de risco. E, por isso, a orientação para esta fase de turbulência, assim como para qualquer época, é planejamento. Para quem tem isso em mente, e pensa em um investimento de longo prazo, os especialistas garantem que o momento não é de crise, e sim, de compra.

"Quem está apavorado é porque provavelmente não deveria ter entrado na bolsa. É porque entrou pensando em sair daqui a seis meses. E aí, possivelmente ainda vai perder mais", diz o consultor de finanças Jurandir Sell de Macedo, professor da Universidade Federal de Santa Catarina. "Ganha na bolsa quem pensa no longo prazo – e eu estou falando em algo como cinco anos –, e quem compra sempre, aos poucos."

Justamente para estes, dizem os analistas, é hora de comprar papéis – já que muitos deles estão desvalorizados. "O melhor momento é agora. É comprando em situações de baixa como esta que as pessoas ganham dinheiro na bolsa", diz a consultora de investimentos Adriana Dalcanale, da Aureum Corretora. O consultor de investimentos Raphael Cordeiro concorda, mas alerta que é preciso fazer um investimento consciente. "Muita gente entra no impulso, e isso é um problema. Tendo consciência, sempre é um bom momento de compra. Em baixas como essa, é melhor ainda", diz Cordeiro.

O desempenho dos papéis da Petrobras ilustra bem os argumentos dos analistas na defesa da paciência. Alguém que comprou papéis da petrolífera em 1º de julho amargava uma desvalorização de cerca de 25% na sexta-feira, um mês depois. Quem adquiriu os papéis no primeiro dia do ano acumula uma perda de 21%. Porém, quem tem as ações há um ano está ganhando 35,5%, diz a analista da Aureum. "O papel cai. Mas a tendência é recuperar, subir, porque a empresa é uma das melhores do país, não está mal."

Liquidez

Assim como a sua disposição ao risco, o investidor precisa ter em mente quando vai querer ter o dinheiro de volta no momento de escolher suas aplicações. "Uma parte do investimento deve estar sempre em aplicações que possuem liquidez imediata, ou seja, que podem ser retirados assim que a pessoa precisa do dinheiro, independente das oscilações do mercado", orienta o consultor Erasmo Vieira. Valem, neste caso, os fundos de renda fixa, DI, ou mesmo a poupança. Uma parcela entre 10% e 50% podem ser destinados a aplicações mais agressivas – mas sem pensar em resgate. "Investimentos de risco em porcentuais acima destes é para quem tem sangue frio e sabe realmente o que está fazendo."

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