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Eles fazem diferença

Um gremista internacional

Jorge Gerdau Johannpeter assumiu a Gerdau em 1983, numa época em que o grupo estava distante de ser um dos destaques mundiais do setor siderúrgico. Mas também já não se resumia à modesta fábrica de pregos criada 82 anos antes, em Porto Alegre, por seu bisavô. No início da década de 80, o conglomerado faturava mais de US$ 400 milhões por ano, jamais havia registrado prejuízo e era dono de seis usinas, cinco no Brasil e uma no Uruguai. Longe de ter se intimidado frente a tamanha responsabilidade, Johannpeter deixa nos próximos dias o cargo de presidente do grupo – hoje o sexto maior do país em patrimônio e décimo em faturamento – com uma coleção de êxitos e números impressionantes.

Com 70 anos, completados no último dia 8, Johannpeter vive um momento singular. Prestigiado a ponto de ser cogitado para o cargo de ministro do Desenvolvimento, da Fazenda ou da Previdência – são pouquíssimos os empresários que já comandaram ministérios no Brasil –, diz preferir o setor privado. Mas, com a segurança de quem sempre dialogou de forma equilibrada com qualquer governo, ele se propõe a continuar ajudando com sugestões e estudos para elevar o crescimento econômico do país.

Suas propostas, ousadas frente ao que o governo tem sinalizado nas últimas semanas, dificilmente serão aceitas na íntegra, mas Johannpeter tem credibilidade de sobra para ser ao menos levado a sério. Em seus discursos – quando costuma impressionar graças ao domínio que tem sobre a platéia e à falta de cerimônia em expor como é e pensa –, ele insiste em lembrar que suas propostas para o aumento da produtividade das empresas e para a maior eficiência do governo são fundamentais não só para a saúde das companhias, mas para reduzir as desigualdades sociais e dar dignidade a toda população.

O balanço dos últimos 23 anos lhe é extremamente favorável. Nesse período, multiplicou por 24 o faturamento da Gerdau e estendeu seu alcance para oito países, elevando o número de usinas para 32 – a maioria fora do Brasil, sendo 11 nos Estados Unidos. O grupo é hoje o principal fabricante de aços longos das Américas e 14.º no ranking mundial da indústria siderúrgica. E, mesmo tendo passado por todas as crises econômicas dos últimos 105 anos, a Gerdau ainda é uma das pouquíssimas empresas brasileiras que jamais fechou o ano no vermelho. Orgulho dos gaúchos – quase tanto quanto um dia foi a Varig –, o grupo tem em seu comando um presidente que há tempos é admirado bem além dos limites do Rio Grande do Sul.

Até na sucessão Johannpeter pode se considerar satisfeito. Depois de um processo de seleção que durou dois anos e teve a participação de 20 executivos da empresa, escolheu seu filho, André Gerdau Johannpeter, de 43 anos, para assumir o principal posto da companhia. Mesmo não sendo a saída mais recomendada pelos guias de governança empresarial – que pregam o máximo profissionalismo na gestão das companhias –, a escolha de um familiar foi bem recebida pelo mercado. Formado em Administração, André começou a trabalhar na empresa aos 16 anos, como auxiliar na fábrica de pregos, ofício semelhante aquele em que o pai ingressou na companhia. Os dois também compartilham a paixão pelo time de futebol do Grêmio e pelo hipismo, esporte no qual André conquistou medalhas de bronze em duas Olimpíadas (Sidney e Atenas) e de ouro em um Pan-Americano (Winnipeg).

À frente de iniciativas como o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), Jorge Gerdau Johannpeter dificilmente vai abandonar a rotina de pelo menos 12 horas de trabalho, até 30 telefonemas e uma centena de e-mails por dia – fora as viagens, que ocupam metade de sua semana. Além de ter assumido inúmeros compromissos fora da Gerdau, ele sai do comando mas não deixa o grupo: a partir de janeiro, vai se dedicar à presidência do conselho de administração da companhia, orientando os executivos em decisões importantes. Que certamente serão muitas nos próximos anos.

A continuidade da internacionalização da Gerdau é imprescindível em meio à intensa consolidação da indústria siderúrgica mundial. São cada vez menos empresas que, para sobreviverem à competição, precisam elevar a produção ou adquirir concorrentes. Quem não crescer, acabará sendo engolido. Para não virar isca, o grupo já mira países da Europa e da Ásia, especialmente a China – como o próprio Johannpeter já disse, quem quer ser grande na siderurgia tem de ter um pé no continente asiático.

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