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No que depender do governo, o Brasil construirá 81 usinas termelétricas até 2017, que vão acrescentar 13,7 gigawatts (GW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia. Essa vigorosa expansão – de potência equivalente à da hidrelétrica de Itaipu (14 GW) – não deve apenas elevar em 60% a participação das térmicas no sistema elétrico brasileiro. Ela fará com que a geração desse tipo de energia lance à atmosfera 39,3 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) por ano, quase o triplo dos 14,4 milhões de toneladas emitidos pelas termelétricas brasileiras em 2008. Os dados constam do Plano Decenal de Expansão da Energia, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal encarregada de planejar o setor.

O volume de emissões projetado para 2017 equivale à poluição gerada em um ano por 44 milhões de carros pequenos movidos a gasolina, que rodem 15 quilômetros por dia. Em 2008, as térmicas jogaram no ar o equivalente às emissões de 16 milhões de veículos. "Se forem mesmo construídas, as novas termelétricas representarão uma Itaipu de poluição, energia cara, alimentada por fontes fósseis, e aquecimento global", comenta o engenheiro Ivo Pugnaloni, diretor da consultoria Enercons. Segundo ele, esse cenário é consequência da aposta na energia gerada a partir de fontes como carvão mineral, óleo combustível, diesel e gás natural, em detrimento de opções como a energia eólica, gerada pela força do vento.

Tarifa mais cara

Além de não representar a vanguarda tecnológica, a queima de combustíveis fósseis é mais onerosa que o uso da água, que ao longo das últimas décadas fez do Brasil o dono de uma das matrizes energéticas mais "limpas" do mundo – matriz que, por sinal, ficará mais "suja". Hoje, 87,5% da eletricidade consumida no país vem de fontes renováveis ou não-poluentes, mas em oito anos esse patamar tende a baixar para menos de 80%. Nesse período, a porção fóssil subirá de 10,2% para quase 17% do total.

Quanto maior a proporção de térmicas, mais cara fica a tarifa de energia. Em 2008, por exemplo, a conta de Encargos de Serviços do Sistema (ESS), que banca a geração termelétrica quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos, atingiu cerca de R$ 2 bilhões. Apenas as três termelétricas religadas há alguns dias representarão um custo mensal de R$ 26 milhões, segundo a Abrace, que representa grandes consumidores de energia. Esses montantes serão diluídos na conta de luz de todos os consumidores.

Debate

O plano decenal, publicado no site www.epe.gov.br, foi aberto à consulta pública em 23 de dezembro, e qualquer pessoa pode enviar contribuições até a próxima sexta-feira. As sugestões não serão necessariamente acatadas pela EPE, mas um discreto movimento iniciado por engenheiros curitibanos, liderados por Pugnaloni e pelo Senge-PR (sindicato dos engenheiros), pretende fazer com que o debate ganhe dimensões que ao menos lembrem a mobilização contra a privatização da Copel – que conseguiu reunir 147 mil assinaturas no início da década.

A primeira medida é solicitar à EPE a prorrogação do prazo de consulta pública ao menos até abril. "Em caso de resposta negativa, entraremos com mandado de segurança na Justiça Federal, já que o prazo foi muito curto", diz Pugnaloni.

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