Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Controle sanitário

União Europeia veda importação de carne brasileira; governo fala em “surpresa” com decisão

Bloco deixou Brasil de fora por não ter garantia de cumprimento de padrões sanitários.
Bloco deixou Brasil de fora por não ter garantia de cumprimento de padrões sanitários. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Bras)

Ouça este conteúdo

A União Europeia (UE) decidiu não incluir o Brasil em uma lista de países autorizados a continuar exportando carne e animais para o bloco divulgada nesta terça-feira (12). A medida passa a valer no dia 3 de setembro e ameaça retirar do Brasil seu segundo maior mercado do produto, que foi responsável, em 2025, por movimentar US$ 1,8 bilhão.

"O Brasil deixará de poder exportar para a UE mercadorias (tanto animais vivos destinados à produção de alimentos como produtos derivados), tais como bovinos, equinos, aves de capoeira, ovos, aquicultura, mel e envoltórios", disse a porta-voz da Comissão Europeia em matéria de Saúde, Eva Hrncirova, à agência de notícias Lusa.

A decisão foi motivada pela desconformidade com os padrões de qualidade exigidos pelo bloco, que incluem a utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. Hrncirova adiantou que o país poderá voltar a negociar quando passar a cumprir os padrões.

VEJA TAMBÉM:

Em uma nota à imprensa, o governo brasileiro afirma ter sido pego de "surpresa" com a decisão dos europeus e que "tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos".

"A decisão decorre do resultado da votação realizada hoje no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. Vale ressaltar que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem normalmente", pontuou.

Ainda segundo o governo brasileiro, o chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia já tem reunião agendada para esta quarta-feira (13) com as autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a decisão.

"Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu", completou.

VEJA TAMBÉM:

Derrota para o governo

A derrota para o governo ocorre logo após a entrada provisória em vigor do acordo comercial entre UE e Mercosul. A medida representou ganho de capital político ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas gerou insatisfação por parte de agricultores europeus. Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados, em meio a 21 países com aval para vender carnes e animais ao bloco.

"Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona", disse o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.

Dados oficiais apontam que o Brasil exportou, apenas no ano passado, 128,9 mil toneladas de carne bovina à União Europeia. Foi um recorde com aumento de 132% na comparação com 2024. As vendas para o bloco faturaram US$ 1,06 bilhão.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.