
A Vale anunciou ontem 1,3 mil demissões em todo o mundo, o que representa 2,1% do total de trabalhadores da mineradora. Só em Minas Gerais, serão 260 demissões. Outros 5,5 mil funcionários entram em férias coletivas escalonadas e 1,2 mil estão em treinamento para serem realocados dentro da companhia.
De acordo com a empresa, a reestruturação do quadro de funcionários é conseqüência da crise financeira internacional e resultado da redução das encomendas das siderúrgicas, principais clientes da Vale. Atualmente, a mineradora tem 62,6 mil funcionários no mundo.
A Vale informou no fim de outubro que vai reduzir sua produção de minério de ferro e outros minérios e subprodutos nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amapá, além de unidades industriais e minas no exterior. Fora do país, sofrerão reduções de produção atividades localizadas na França, Noruega, China e Indonésia.
O presidente da Vale, Roger Agnelli, explicou que o corte de 30 milhões de toneladas métricas anuais na produção de minério de ferro da empresa é um "ajuste momentâneo em razão do "fortíssimo rearranjo que o mundo está passando por causa da crise financeira internacional.
João Batista Cavalieri, representante dos funcionários no Conselho de Administração da mineradora, acredita que o corte na produção pode ser maior que o já anunciado. "A decisão da Vale de colocar 5,5 mil funcionários em férias coletivas indica que o tamanho do corte na produção (os 30 milhões de toneladas de minério de ferro já anunciados) pode ser ainda maior. Se uma empresa do tamanho da Vale, com a importância que ela tem para o Brasil, começa a demitir no primeiro ataque da crise, imagina o que acontecerá com as pequenas", considerou Cavalieri.
Para analistas, as mineradoras tentarão adiar ao máximo o fechamento dos novos preços do minério de ferro em 2009, que começam a vigorar em abril. A Vale, que lidera as negociações, tem interesse em postergar o acordo, à espera de uma melhora na demanda mundial. Do outro lado, as siderúrgicas estão pressionando por um fechamento rápido, com o objetivo de forçar uma queda de preços.
Neste ano, a Vale fechou os preços ainda em fevereiro devido ao contexto favorável. "Em 2009, em função dos baixos preços do aço, as negociações serão mais longas e difíceis", disse a analista da Ágora, Cristiane Viana.
Siderúrgicas
Entre as siderúrgicas, a ArcerlorMittal anunciou na última quinta-feira que pretende demitir até 9 mil empregados no mundo. As demissões serão feitas de forma voluntária. Elas atingirão primeiro os empregados dos setores não-produtivos, que trabalham em vendas, administração e serviços gerais.
Também na semana passada, o grupo siderúrgico brasileiro Gerdau anunciou que vai antecipar a parada das subsidiárias Açominas e da Siderperú (Empresa Siderúrgica del Peru) para trabalhos de manutenção.







