O comércio iniciou o segundo semestre de 2015 com o pé esquerdo. As vendas tiveram o pior julho de toda a série iniciada em 2000, com queda de 1% ante junho, informou nesta quarta-feira (16) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – em comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi ainda maior, de 3,5%. Sem sinal de reação, economistas já falam em dois anos de retração no setor que, na última década, foi o retrato da bonança embalada pelo consumo das famílias.

O economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, prevê que o varejo terá queda de 3% no volume de vendas este ano, seguida por recuo de 0,4% no ano que vem. Isso porque a decisão de comprar depende das condições de emprego, renda, preços e financiamento, indicadores que hoje não despertam otimismo.

O economista Fabio Bentes, da Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo também acredita em nova queda nas vendas em 2016, embora ainda não tenha estimado a magnitude. Segundo ele, a desvalorização do real ante o dólar representa um novo ingrediente desfavorável. Para este ano, a entidade espera redução de 2,9%, projeção revisada após os dados “muito ruins” de julho.

No confronto anual, o comércio até contou com a ajuda da base mais fraca. Durante a Copa do Mundo em 2014, feriados informais reduziram o movimento nas lojas. Por isso, havia condições de o resultado deste ano ser um pouco melhor, o que não se concretizou. “Isso torna esse resultado negativo ainda mais relevante”, disse a pesquisadora Isabella Nunes, gerente da pesquisa no IBGE.

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