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Você ainda vai escrever assim

Sistema Swype pretende facilitar a vida do usuário na hora de digitar palavras em telas de toque

Cliff Kushler apresenta o Swype: até o fim do ano, software deve estar em 50 modelos de celulares em todo o mundo | Andrew Mager/Creative Commons
Cliff Kushler apresenta o Swype: até o fim do ano, software deve estar em 50 modelos de celulares em todo o mundo (Foto: Andrew Mager/Creative Commons)

Durante a década de 90, digitar a palavra "hello" na maioria dos ce­­lu­­lares exigia "exaustivos" 13 to­­ques no teclado numérico. Quan­do o inventor norte-americano Cliff Kushler e um sócio criaram um software chamado de T9, o nú­­mero caiu para apenas três, já que ele "adivinha" a palavra que está sen­­do digitada. Mas agora o simples ato de digitar uma palavra nos celulares ganhou um novo desafio. Os botões físicos se foram em muitos aparelhos, e é preciso usar teclados virtuais em uma tela de to­­que (touchscreen) – o que nem sempre é fácil. Mas Kushler acredita que tenha conseguido, mais uma vez, uma solução para o problema. Uma nova tecnologia, de­­senvolvida por ele e pelo cientista e pesquisador Randy Marsden, e batizada com o nome de Swype, per­­mite que o usuário deslize o de­­do sobre um teclado virtual de ma­­neira a formar palavras, em vez de digitar letra a letra.Muitos smartphones já possuem recursos para autocompletar palavras ao ser digitadas, corrigirem erros ortográficos e acrescentarem pontuação de forma ins­­tantânea. Mas Kushler quer che­­gar a um nível mais elevado. "Nós esprememos um PC completo, com mouse e teclado, e o fizemos caber no bolso. A largura de banda da informação ficou muito restrita. Eu imaginei que se pudéssemos inventar uma maneira de melhor inserir estas informações, seria um sucesso."

O software da Swype detecta o ponto em que o dedo faz uma pausa e muda de direção enquanto tra­­ça, na tela, o padrão de uma palavra. Os movimentos não necessitam ser precisos, porque o software calcula que palavras o usuário es­­­tá provavelmente tentando digitar. As letras maiúsculas e duplas são indicadas por uma pausa ou torção do dedo, enquanto o espaça­mento e a pontuação são automáticos. Kushler estima que o software seja capaz de tornar pelo menos 20% ou 30% mais rápidos até mesmo os mais ágeis digitadores de mensagens de texto em celulares.

Instalado

Nos EUA, o Swype está sendo instalado em sete modelos de smart­­pho­nes de todas as grandes operadoras. Até o fim do ano, a companhia afirma que ele estará presente em mais de 50 modelos em todo o mundo. A Swype não possui ainda acordo com a Apple, empresa líder de celulares touchscreen. Porém, diz que está desenvolvendo programas destinados ao iPhone e ao iPad, e espera poder exibi-los à Apple em breve. "Podemos também desenvolver dicionários customizados para médicos ou advo­­gados, por exemplo", disse Mi­­ke McSherry, o chefe-executivo da Swype.

O grupo de pesquisa Gartner estima que as vendas mundiais de aparelhos com telas touchscreen atinjam os 326,7 milhões de unidades em 2010 – 97% a mais que no ano passado. Por isso a Swype não é a única companhia que es­­pera lucrar com inovações nesta área. A Nuance, conhecida por seu software de reconhecimento de voz, adquiriu a recém-criada Sha­­­pe­Writer, que combina pa­­drões de digitação em teclado de tela touchscreen aos de palavras comumente escritas e está negociando com fabricantes de celulares para o uso de seu software, o T9 Trace. Já o Google está tentando permitir que as pessoas ignorem completamente a tela através de tecnologias de reconhecimento de voz e imagem.

Tradução Thiago Ferreira.

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