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Arquitetura da escola auxilia na construção da aprendizagem

Versatilidade dos espaços permite mudanças de acordo com o aspecto de ensino e aprendizagem a ser priorizado

  • Carlos Eduardo Carvalho, especial para a Gazeta do Povo
Positivo: mobilidade permite que os conteúdos sejam abordados em estações de aprendizagem específicas. | Divulgação.
Positivo: mobilidade permite que os conteúdos sejam abordados em estações de aprendizagem específicas. Divulgação.
 
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Referência mundial em educação, a Finlândia leva inovação para os modelos de escola: a estrutura física das instituições de ensino também começa a acompanhar as inovações educacionais que tornaram o país um case de sucesso. 

As escolas finlandesas passam por uma série de mudanças estruturais que são parte de um dos maiores projetos de reconfiguração na Europa; salas de aula fechadas com carteiras enfileiradas estão sendo substituídas por espaços que seguem a ideia de plano aberto. 

LEIA MAIS: Como no século 19: nossas salas de aula pararam no tempo

A mudança é parte de uma tendência que começou ainda em 2016, com a introdução de um novo currículo nacional. Desde então, 101 escolas começaram a ser construídas priorizando espaços abertos – grande parte das escolas do país, erguidas antes dessa nova onda, ainda segue o modelo tradicional, mas a expectativa é que todas sejam revitalizadas gradualmente para se adaptarem as novas diretrizes. 

“Acreditamos que uma arquitetura inspiradora pode oferecer às crianças um incentivo positivo para crescer e aprender, e transformar os momentos de aprendizagem em experiências empolgantes”, justificou o arquiteto Ikka Salminen, do escritório Verstas Architects, responsável pela construção de uma escola na cidade de Espoo, uma das primeiras a incorporar as novas ideias. 

Versátil e adaptável 

O modelo escolhido defende que a escola deve ser um espaço para promoção do crescimento, saúde e aprendizagem dos alunos, além de proporcionar interações positivas com professores e colegas. A prioridade é construir espaços calmos e integrados, com móveis e estruturas que prezam pela variedade e versatilidade. 

Essas mudanças são reflexo da filosofia educacional do país, que preza pela autonomia dos professores e alunos. Na Finlândia, educadores são incentivados a construírem as próprias metodologias de ensino e os alunos têm a liberdade de organizarem o aprendizado, que pode variar a cada semana. O mesmo acontece com a configuração física da escola; a versatilidade permite mudanças de acordo com o aspecto de ensino e aprendizagem a ser priorizado. 

“Alguns estudantes não se sentem confortáveis em uma sala de aula tradicional”, diz Salminen. “Todos os espaços interiores e exteriores são lugares com potencial para aprendizagem”, completa. 

Mudança de enfoque 

A alteração nas salas de aula representa uma mudança no enfoque do ensino. Adotadas na década de 1950, durante o auge da industrialização, as salas tradicionais seguem um modelo fabril que coloca o foco do ensino no professor. Hoje, porém, educadores e especialistas se voltam para o aluno e suas necessidades de aprendizagem. 

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O modelo de ensino finlandês é voltado para a autonomia dos docentes, que são incentivados a construir metodologias e fazer trocas de conhecimentos e métodos. Para facilitar essa interação, as salas de professores nas novas escolas finlandesas têm espaços dedicados para o trabalho e para o lazer – a expectativa é incentivar o diálogo de forma casual e social. 

Realidade nacional 

No Brasil, o modelo de sala de aula ainda reproduz o padrão de carteiras enfileiradas e alunos sentados de frente para o quadro – diretamente ligado ao padrão de ensino, com o professor passando o conteúdo e os alunos recebendo de forma passiva.

Mas com a adoção de novos modelos pedagógicos, a tendência é que a configuração da sala de aula também passe por mudanças. 

“O espaço físico escolar também deve ser alvo de reflexão para que se consiga criar o ambiente ideal, mais propício ao aprendizado”, defende Acedriana Vicente Sandi, diretora pedagógica da Editora Positivo.

Segundo ela, os estudantes de hoje têm um novo perfil de aprendizado, que deve ser compreendido para organizar a escola de uma forma que traga mais benefícios para o seu desenvolvimento. 

“Se ficarmos com a modelagem anterior, o aluno atual não se sente incluído, nem estimulado. Precisamos, portanto, pensar não apenas no conteúdo e nas práticas de ensino, mas também no design e arquitetura do ambiente escolar”, diz. 

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Andreas MeichsnerVerstas Architects

Essas mudanças já fazem parte do modelo do Colégio Positivo Internacional. Com salas de aula 360º, ambientes específicos para determinados projetos e atividades e espaços conceituais, os espaços foram projetados para serem apropriados para as atividades que os professores pretendem desenvolver. 

“As salas do Ensino Fundamental II são 360º, os estudantes não sentam mais um atrás do outro e, a cada duas horas, eles trocam de ambiente. Essa mobilidade permite que os conteúdos sejam abordados em estações de aprendizagem específicas. Os alunos não ficam presos em um mesmo espaço o tempo todo”, descreve Audry Castello Branco, diretora do Colégio Positivo Internacional. 

Os alunos têm acesso a outros ambientes planejados, como o solarium, o musical hall, a horta nas salas da educação infantil e salas de convivência: “Tudo o que contribui para o bem-estar e a felicidade dos alunos traz bons resultados quando o assunto é o desempenho desses estudantes.”

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