Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE

alerta

Crianças e jovens são as principais vítimas dos crimes cibernéticos

Jovens de 13 a 15 anos da RMC admitiram acessar conteúdo reservado para adultos e terem encontrado pessoas que conheceram na internet

  • Denise Drechsel
“Uma vez na internet, sempre na internet”, afirmou Flúvio Cardinelle Oliveira Garcia, delegado chefe do Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PF-PR | Daniel Castellano
“Uma vez na internet, sempre na internet”, afirmou Flúvio Cardinelle Oliveira Garcia, delegado chefe do Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PF-PR Daniel Castellano
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

O Brasil está entre os cinco países com o maior número de crimes cibernéticos do mundo e as crianças e os jovens são as vítimas mais fáceis desses delitos. Esses foram os principais alertas apresentados por especialistas em uma audiência pública sobre tecnologia e educação realizada nesta terça-feira na Assembleia Legislativa do Paraná pela Comissão de Educação, presidida pelo deputado Hussein Bakri (PSD).

VÍDEOS: Imagens mostram o quanto se é vulnerável na internet

LEIA TAMBÉM: Exposição à pornografia deixa marcas para toda a vida

Pesquisa realizada com estudantes de 13 e 15 anos de escolas de Curitiba e Região Metropolitana mostra que a maioria deles navega pela internet há muitos anos, por mais de quatro horas por semana, frequentemente avançando a madrugada. Sem o acompanhamento dos pais, eles admitiram acessar conteúdo reservado para adultos e terem encontrado pessoas que conheceram na internet. As consequências negativas dessa conduta são várias, tanto para o desenvolvimento cerebral quanto para a segurança.

A própria fascinação dos pais pelas plataformas digitais tende a afastá-los dos filhos. Mães chegam a amamentar os filhos olhando o WhatsApp e, com o tempo, não investem tempo em atividades que desenvolvam as crianças em suas habilidades psicomotoras

“O uso frequente da internet tem vários efeitos como a perda da capacidade de memória e de atenção, e pode levar à dependência e à compulsão”, explicou Cineiva Campoli Paulino Tono, doutora em Tecnologia e Sociedade e fundadora do Instituto Tecnologia e Dignidade Humana. “Além disso, há outros efeitos associados, como as alterações alimentares, os distúrbios do sono, o sedentarismo, as alterações posturais e a ‘hipolinguagem’”.

Uma das principais causas desse comportamento é a ausência de orientação dos pais. Diante da pergunta sobre como não cair na dependência, os próprios estudantes da pesquisa sugeriram que os pais poderiam ajudá-los a limitar o tempo na internet. “Estudos mostram que o uso compulsivo do mundo on-line está relacionado com a fragilidade dos laços no lar, principalmente com a mãe; os jovens reconhecem que gostariam de estar mais tempo em atividades no mundo real”, disse Cineiva Tono.

A própria fascinação dos pais pelas plataformas digitais tende a afastá-los dos filhos. Mães chegam a amamentar os filhos olhando o WhatsApp e, com o tempo, não investem tempo em atividades que desenvolvam as crianças em suas habilidades psicomotoras. “Não é porque uma criança sabe passar o dedo por uma tela, porque tem habilidade no polegar, é mais inteligente; vemos crianças hoje de quatro anos que não sabem desenhar ou usar a tesoura”, afirmou Luci Pfeiffer, doutora em Saúde da Criança e do Adolescente e coordenadora do Programa HC-Dedica. “A criança precisa pegar, morder, para ter a imagem corporal e a constituição psíquica do que ela é”.

A pesquisadora levantou também o desafio da erotização precoce impulsionada pela sociedade. “Na adolescência, o jovem busca referências na sociedade para ser o que querem que ele seja, e hoje estamos nas mãos não apenas da sociedade, onde ainda poderíamos ter algum controle, mas do mundo virtual”, disse. “Na verdade, é a internet está ocupando o vazio de pai e mãe que leva a criar dependência com um desconhecido”.

Ingenuidade dos adultos

Além da falta de acompanhamento dos filhos, há outras formas de expor as crianças de forma perigosa na internet. Colocar fotos aparentemente inofensivas da família nas redes sociais pode trazer problemas, explicou Flúvio Cardinelle Oliveira Garcia, delegado chefe do Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Federal do Paraná. Os criminosos acessam facilmente os dados de quem não tem reparo em abrir sua intimidade nas redes sociais e cometem diferentes delitos, desde a divulgação de informações privadas até faltas mais graves, como extorsões, sequestros e abuso de crianças.

“Cuidado com a foto de sunga na praia ou com os ‘nus’ das crianças, há softwares que tiram a sunga da criança e colocam outra pessoa na imagem”, exemplificou. “O crime na internet é corriqueiro, uma vez na internet, sempre na internet”, disse.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE