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Precariedade

Crianças em celas de aula

Alunos de Luz Marina, no Oeste do estado: aulas em delegacia, após granizo destruir escola | Christian Rizzi/Gazeta do Povo
Alunos de Luz Marina, no Oeste do estado: aulas em delegacia, após granizo destruir escola (Foto: Christian Rizzi/Gazeta do Povo)

SÃO PEDRO DO IGUAÇU - O esforço para subir o Ideb das escolas na faixa de risco esbarra em situações como a dos alunos da pré-escola e da primeira série de Luz Marina, distrito de São Pedro do Iguaçu, no Oeste do estado. Desde setembro do ano passado, as crianças estudam onde antes funcionava uma delegacia. Celas e grades deram lugar às mesas e carteiras usadas pelas 66 estudantes de 4 a 7 anos transferidos para o destacamento policial depois que um temporal de granizo destruiu parcialmente a Escola Municipal e Estadual Evaldo Taliuli, a única da localidade de 2,2 mil habitantes. O salão paroquial, o espaço comunitário do grupo da terceira idade e a casa onde morava um policial também estão sendo usados para abrigar outros 300 alunos.

Listada pelo Ministério da Educação (MEC) entre as mais de 900 escolas paranaenses em estado de alerta pelo baixo Ideb – 3,6 na última pesquisa, contra 5,3 de todo o município –, a instituição tende a somar uma nota ainda mais baixa nas próximas avaliações, teme a Secretária Municipal de Educação, Marisa Zorzi. "Os professores estão se desdobrando para manter o interesse dos alunos pelo estudo, mas sem uma estrutura adequada para as aulas, não se pode negar que a qualidade do ensino e o desempenho sofram com isso", avaliou. "Pior seria se tivéssemos suspendido as aulas."

Mais que o ambiente impróprio, com problemas no forro e na fiação elétrica, as professoras também precisam fazer as crianças imaginarem que estão em uma escola de verdade. "Por mais que a gente dê um colorido à sala de aula, escondendo as grades, muitos sabem que aqui funcionava uma cadeia", diz Tânia Colaço, responsável pelo pré-escolar.

As obras da nova escola deveriam ter começado em fevereiro. A licitação foi concluída em dezembro, mas precisa da homologação do governo do estado para a liberação de R$ 2,3 milhões para a construção do novo prédio.

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