Com a chegada das férias de fim de ano, estudantes e profissionais resolvem aproveitar o tempo livre para se aprimorar ou adquirir novos conhecimentos. Aprender um novo idioma, especializar-se em sua área de atuação ou, ainda, aprender algo de novo que proporcione momentos de descontração e lazer, como aulas de culinária e artesanato são algumas atividades que nem sempre conseguem ser conciliadas com o acelerado ritmo do dia-a-dia.
E a variedade de cursos oferecidos nesta época do ano é tão grande desde aulas de línguas às de oratória e de gestão de carreira que fica difícil escolher o mais adequado para cada idade e perfil de profissional ou de estudante.
Mas com a pressão pela atualização e especialização no mercado de trabalho, é muito comum que as pessoas exagerem e acabem desperdiçando um período que deveria ser de lazer e de descanso. "Um ou dois cursos no período de férias valem a pena. Mais do que isso é exagero. A melhor coisa é tirar os 30 dias de férias e permitir que esse tipo de curso ocupe um tempo parcial, apenas um turno e que, no outro, a pessoa passeie e se divirta", diz o professor de Filosofia da Universidade Positivo (UP), André Capraro, pesquisador na área de qualidade de vida e saúde.
Nessa época do ano há um aumento no número de matrículas dos cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A coordenadora de aprendizagem do Senac do Paraná, Lucymara Carpim, diz que esse esforço vale a pena mesmo no período de descanso. "Quando está de férias, é importante que o profissional ou a pessoa que pretende entrar no mercado de trabalho procure se aperfeiçoar com cursos de curta duração, de poucas semanas. Hoje esses programas de educação e desenvolvimento não podem ser vistos como um gasto de tempo, mas sim como um investimento pessoal, profissional e social. É rentável. A pessoa conquista espaços melhores e novas oportunidades de emprego."
O técnico de ensino do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Fábio de Alvarenga, aproveitou essa chance. Em janeiro deste ano, ele fez o curso de Chefia e Liderança do Senac e agora faz uma pós-graduação na área. "Na minha profissão eu preciso de competências gerenciais e assim comecei o treinamento. Faço uma pós-graduação na área de gestão", conta.
Rapidez
Para quem pretende se aperfeiçoar sem deixar as férias com a família de lado, mas o curso é em outra cidade, uma boa opção é programar uma viagem em conjunto. Nesse sentido, os cursos rápidos, com duração que varia de um dia a três semanas de atividades, podem ser aliados a práticas de lazer e a passeios com a família. O coordenador dos cursos de férias da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo, Victor Trujillo, explica que dos 2,5 mil alunos que freqüentam os cursos de férias da instituição anualmente, 300 deles são de outros estados. "Essa parcela de pessoas normalmente está em férias. À noite, eles participam das aulas, que não passam de cinco dias, e, durante o dia, passeiam pela cidade com a família."
O importante é não permitir que o trabalho se torne uma obsessão. "As pessoas têm de tomar cuidado para não apontar para patologias, como os workaholics que não dedicam tempo para a família. É preciso ter tempo livre. Mesmo o ócio é necessário para a reparação do organismo", reforça o professor Capraro.
Viagem educacional
E como é importante se especializar se divertindo, nada melhor do que aproveitar para aprender uma língua e conhecer um país diferente. É o que a estudante de Medicina e Direito, Amanda Maria Bittencourt Geraldi, de 18 anos, vai fazer nos próximos dois meses. Após estudar inglês desde os 7 anos em Cidade Gaúcha, no noroeste do Paraná, ela decidiu viajar a um país de língua inglesa para se tornar fluente no idioma e já está com a viagem marcada para o dia 5 de dezembro para a Europa. "Vou ficar em casa de família e talvez com intercambistas de outros países em Cambridge, na Inglaterra", conta Amanda.
Para a estudante, essa será também uma chance de conhecer outros países europeus e de muita reflexão, já que no próximo ano terá de optar por levar adiante apenas uma das duas faculdades que estuda hoje. "Espero que seja um tempo bastante proveitoso para meu crescimento individual, principalmente para a minha escolha de profissão. Terei muitas experiências novas, com pessoas de diferentes culturas e, ainda, vou aprimorar o meu inglês", diz.
Para quem não tem a chance de viajar, mas precisa melhorar suas habilidades com outros idiomas, existem os cursos superintensivos de férias, em que é possível compensar quatro meses de aulas regulares em apenas três ou quatro semanas. "É uma imersão na língua estrangeira, porque o aluno tem aulas diárias, que duram duas horas e meia por dia, durante três semanas. E isso ativa bastante o cérebro para utilizar a língua. Chegam até a sonhar em inglês. Essa experiência pode ser comparada a conviver com o idioma diariamente onde ele é falado", comenta a coordenadora acadêmica do Inter Americano, Ane Cibele Palma. E o aluno deve ficar tranqüilo porque o programa é igual ao do semestre extensivo. "O conteúdo é o mesmo do regular, muda um pouco a dinâmica da aula, mas o programa é praticamente o mesmo", explica o diretor de cursos da Fundação Fisk, Elvio Peralta.
Outra vantagem de se adiantar o curso é a economia. As escolas costumam oferecer descontos como mais uma forma de estímulo a estudar nas férias. "O curso intensivo é mais acessível financeiramente. Há um desconto bem interessante, que varia de 25% a 35% do preço regular do curso. A diferença é que deve ser pago em menos parcelas", diz Peralta.
Há quem goste tanto dessa forma de ensino que acaba deixando de fazer as aulas regulares e optando apenas pelas intensivas. "Eu comecei o super como alternativa, porque estava sem tempo para o regular, que tomava muito tempo e era muito cansativo. Optei pelo intensivo para otimizar esse tempo", conta o administrador Marcelo Roggenbaum, de 26 anos. "Eu acho que meu inglês melhorou porque acabo tendo maior contato com a língua em um curto espaço de tempo. Sinto como se fosse uma imersão na língua", diz o administrador.
Mas os coordenadores fazem duas recomendações para quem pretende estudar qualquer língua por esse método. A primeira é ter vontade e disposição para estudar, já que o ritmo é intenso e é preciso muita dedicação por parte do aluno em casa também. "Para os que têm dificuldade não é recomendado, porque tem diariamente uma carga grande de conteúdo para estudar e lições para fazer. Não indicamos para quem leva o estudo com dificuldade", diz Ane Cibele. A outra é não ser tão jovem porque crianças e adolescentes têm mais dificuldade de concentração. "Eles não agüentam ficar sentados por mais de uma hora prestando atenção", comenta Peralta.
Útil ao agradável
Além dos cursos de aprimoramento profissional, existem ainda os de artesanato, cerâmica, culinária, pintura e vários outros que podem ser uma grande oportunidade de desenvolvimento pessoal e de relaxamento. A estudante de Nutrição Karoline Palu Correia de Oliveira, de 22 anos, aproveitou as férias de julho deste ano para fazer um curso de automaquiagem e uniu o útil ao agradável. "Eu tinha a vontade de aprender as técnicas para ressaltar o que era mais forte no meu rosto e para esconder as imperfeições. Como nunca tenho tempo para fazer outras atividades, aproveitei as férias para isso", conta. E a procura por esse tipo de curso aumenta no período de férias. "Tivemos que abrir uma turma extra em julho, tamanha foi a procura", conta a diretora do Centro de Formação Profissional Lady & Lord, Cláudia Marigo.



