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entrevista

Outra língua em apenas dois meses

Flavia Mariano em Fussen, na Alemanha. Gosto por viagens começou com intercâmbio. | Arquivo pessoal
Flavia Mariano em Fussen, na Alemanha. Gosto por viagens começou com intercâmbio. (Foto: Arquivo pessoal)

Passar dois meses sem o conforto de casa não é fácil, ainda mais se tiver de ficar longe da família durante as festas de Natal e de réveillon. Mas, para quem deseja se tornar fluente em um segundo idioma, esta é a oportunidade ideal, já que é o período das férias escolares mais longas do ano. Foi assim que a escritora e jornalista Flavia Mariano começou, em 2001, aos 20 anos, o primeiro de seus três intercâmbios no Canadá e nos Estados Unidos, que deram seqüência a uma série de viagens internacionais. Ela registrou as experiências no livro Intercâmbio: aí vou eu!, em que apresenta as diferentes opções de intercâmbio e dá dicas que vão desde a pesquisa antes da viagem até a melhor maneira de lidar com problemas durante a temporada no exterior. Veja a seguir os principais trechos da entrevista à Gazeta do Povo:

Você fez algum intercâmbio que durasse apenas o período de férias aqui do Brasil?

O primeiro foi exatamente assim. Seria meu último período da graduação. Mesmo assim embarquei no fim de janeiro (para o Canadá) e voltei em março. Acabei perdendo duas semanas de aula, mas gostei tanto da experiência que embarquei novamente no meio do ano. Desta vez já estava formada e ficaria seis meses lá.

Você acredita que vale a pena passar apenas dois meses no exterior?

Se a pessoa for bem focada, vale a pena sim. Até um mês pode ser bom, se houver disciplina. Falo muito isso no livro. Se você não estiver focado no seu objetivo, pode passar um ano fora que não vai voltar falando o idioma. Conheço várias pessoas que voltaram sem falar nada. Sabiam o mínimo para sobreviver. Quando fui pela primeira vez, fiquei dois meses e sabia o tamanho da oportunidade que estava tendo. Então, mesmo quando saia à noite, pegava uma gramática que a hostmother (pessoa que hospeda os intercambistas) me emprestou e estudava, ao menos, duas páginas. Nunca fui muito estudiosa, mas tinha claro que não queria voltar para o Brasil e pensar que não tinha feito o melhor.

É possível aprender bem a língua do país para o qual você está viajando nesse período ou é necessário ter domínio da língua?

Aprender é possível, mas depende do que você quer. Viajar com certo conhecimento do idioma é sempre muito melhor, não há dúvida. A maioria das pessoas que conheço e que fez intercâmbio diz: "pegue aulas particulares antes de embarcar, entenda a estrutura da língua". Eu mesma achava que quando fosse para o Canadá aprenderia tudo porque teria que sobreviver. Não é bem assim que funciona. Mesmo já tendo conhecimento do idioma, tive dificuldades. Além disso, quando você vai para outro país aprender um idioma, espera-se que você volte com um certo domínio. O ideal é que você aprenda o básico aqui no Brasil e viaje apenas para aprimorar e pegar fluência.

Como escolher a agência que vai assessorar a viagem?Com pesquisa. É uma coisa meio chata de fazer, mas é necessária. Mesmo depois de escolher sua agência, é preciso que você acompanhe todos os passos do seu processo. Não largue na mão da agência. Não existe vilão, existe interesse. Algumas pessoas reclamam das agências, e eu concordo que algumas nos deixam na mão. Já tive muitos problemas, mas também tive minha parcela de culpa em não acompanhar mais de perto. As agências estão vendendo um serviço e não um sonho que vem na caixinha. Fique atento, e tudo vai dar certo. Descobri que viajar é tão bom quanto eu imaginava e fazer intercâmbio é maravilhoso.

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