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Os estudantes Beatriz e Raphael representaram o colégio em um evento nacional. Eles apresentaram seu equipamento, que impede a obstrução dos bueiros de rua | Divulgação
Os estudantes Beatriz e Raphael representaram o colégio em um evento nacional. Eles apresentaram seu equipamento, que impede a obstrução dos bueiros de rua| Foto: Divulgação
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Bolsa

Iniciação científica no ensino médio

Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Leonardo Busato foi escolhido para fazer parte de um grupo de pesquisas

Aluno do 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual Abraham Lincoln, em Colombo, Leonardo Busato, 16 anos, foi escolhido entre os alunos da sua escola para participar, no ano passado, de atividades desenvolvidas por grupos de pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O projeto que o colocou em contato com o universo da investigação acadêmica é o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (Pibic Júnior), criado em 2006 pelo governo federal para estudantes da rede pública. "O estudante desenvolve a pesquisa por 12 meses junto com os nossos alunos e com um professor orientador. Também ofertamos oficinas de informática e metodologia científica", explica a coordenadora dos programas de iniciação científica da PUCPR, Cleybe Vieira.

Entre os projetos de pesquisa em andamento, Leonardo escolheu participar de um estudo sobre os Planos de Habitação dos municípios do Paraná e de Santa Catarina. Durante o período da pesquisa ele recebeu uma bolsa de R$ 100 por mês do CNPq. "Os alunos ganham maturidade, tornam-se mais críticos e adquirem o hábito da leitura", conta a diretora-auxiliar do colégio Abraham Lincoln, Josiane Hoogevoonink. Para o professor da PUCPR Júlio César Nievola, o projeto também permite que os estudantes descubram se têm vocação para a pesquisa.

Observar um fenômeno, formular uma hipótese, realizar uma experiência e confirmar (ou não) o que se imaginava. Todas essas etapas do pensamento científico foram seguidas à risca no ano passado pelos colegas Raphael Yudi Kai, 17 anos, e Beatriz Glaser Pimpão, 16 anos, quando elaboraram um projeto para a feira de ciências do Colégio Positivo. Em busca de soluções para amenizar as enchentes nas grandes cidades, eles desenvolveram um equipamento que impede a obstrução dos bueiros com o lixo jogado nas ruas. E descobriram que podem se tornar pesquisadores. "Sempre gostei de pesquisar áreas que não estão no currículo escolar. Foi cansativo, mas gratificante", afirma Raphael.

O sistema de ensino baseado unicamente em um professor pa­­lestrante não estimula o senso crítico. Por isso, as escolas buscam desenvolver um lado mais ativo e questionador, que pode vir à tona em feiras de ciências ou projetos de pesquisa. Trabalhos como esses também são oportunidades para ensinar ao aluno o que é um método científico e a importância de cada fase da pesquisa. "O pesquisador precisa testar hipóteses. Sem­pre digo aos alunos que o fracasso também é importante, porque permite que você diga por que caminho os outros pesquisadores não devem seguir", explica o diretor do Colégio Positivo, Celso Hartmann.

Foi exatamente o que fizeram Raphael e Beatriz. Somente depois de cinco tentativas eles chegaram ao produto final. O projeto foi desenvolvido para a Mostra de Soluções para uma Vida Melhor, realizada anualmente pelo Positivo, e acabou selecionado para participar também da edição deste ano da Feira Brasi­leira de Ciências e Enge­nharia (Febrace), realizada em março, na Univer­sidade de São Paulo (USP). De quase 1,5 mil trabalhos inscritos por estudantes de ensino fundamental, médio e técnico de todo o Brasil, apenas 300 foram escolhidos para a feira. "Na Febrace conhecemos muitas pessoas que nos orientaram a continuar com o projeto e aprimorá-lo", conta Beatriz.

Outras habilidades

Para a assistente psicopedagógica do ensino médio do Colégio Ma­­rista Paranaense, Roseana Reque Galas­tri, os trabalhos científicos também são importantes para que o aluno aprenda a comunicar o que aprendeu. Ela explica que todos os anos a rede Marista organiza o Congresso Virtual Interdis­ciplinar. Funciona assim: dentro de um mesmo tema geral cada grupo escolhe um tópico específico. Durante aproximadamente seis meses os estudantes de­­sen­volvem as pesquisas orientados por professores. Os alunos mais ve­­lhos apresentam os resultados em forma de artigo científico, respeitando as normas desse tipo de publicação, e os três melhores textos são pu­­blicados em uma revista do grupo.

Em 2009, o tema foi astronomia e participaram alunos de 5.ª à 8.ª série. No ano passado, o debate foi em torno da biodiversidade, com estudantes da 8.ª série e do ensino médio. Mas também é possível desenvolver o espírito questionador entre os mais novos. "Lá na educação infantil os professores já trabalham em cima de projetos. Quando surge uma curiosidade na turma, os professores elaboram uma hipótese e começam uma pesquisa. E esse estudo culmina em uma exposição", afirma Roseana.

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